A Gerais Saneamento, veículo da Equatorial (EQTL3) que controla a Copasa (CSMG3), protocolou fato relevante na sexta-feira (25) comunicando a intenção de pedir a rescisão antecipada do acordo de acionistas firmado com o governo de Minas Gerais em junho. A decisão, no entanto, depende de aval em assembleia marcada para o dia 28.
O movimento pegou parte do mercado de surpresa, mas a Equatorial correu para esclarecer no sábado (26): não há saída, nem desinvestimento, tampouco risco de reestatização. A fatia de 30% e a condição de acionista de referência seguem intocadas.
O que está em jogo na assembleia do dia 28
A rescisão só avança se os acionistas aprovarem a Cláusula 4.5 e o Anexo 4.5 do acordo. Ambos tratam da golden share — ação de classe especial que garante ao Estado o direito de indicar um conselheiro de administração e um membro do conselho fiscal, mesmo sem controle econômico.
Qualquer alteração futura nesses direitos exigiria anuência do próprio governo mineiro. É esse mecanismo de proteção que a Equatorial quer remover antecipadamente, seguindo etapa prevista nos documentos da oferta original.
Por que a golden share incomoda o controlador
A ação de ouro funciona como um freio estatutário. Enquanto existir, o Estado mantém poder de veto velado sobre decisões sensíveis de governança, o que pode dificultar:
- Reestruturação de dívida ou emissão de novas ações;
- Mudanças na composição do conselho além da cadeira reservada;
- Eventuais movimentos de M&A no setor de saneamento.
Para a Equatorial, tirar esse entrave agora — enquanto o acordo ainda é jovem — evita negociações mais desgastantes no futuro.
Cronologia rápida para o investidor acompanhar
- 11 jun 2026: Assinatura do acordo de acionistas com o governo de MG.
- 25 set 2026: Fato relevante da Gerais Saneamento sinalizando rescisão antecipada.
- 26 set 2026: Nota da Equatorial negando desinvestimento ou reestatização.
- 28 set 2026: Assembleia Geral Extraordinária (AGE) decisiva.
O que observar daqui para frente
Se a AGE aprovar a rescisão, a Copasa perde a blindagem estatutária do Estado, mas ganha agilidade societária. O risco político, contudo, não desaparece: Minas Gerais continua como acionista relevante e pode exercer influência por outros meios. Acompanhe a votação do dia 28 e eventuais manifestações do governo Zema nos dias seguintes — elas ditarão o tom da relação entre o controlador privado e o poder público nos próximos anos.
