O Rio Grande do Sul entra neste domingo (27) sob alerta máximo: um ciclone em formação e uma frente fria vão manter o estado sob temporais, granizo e ventos acima de 90 km/h por pelo menos três dias. O volume de chuva pode superar 170 milímetros em 24 horas em áreas da Campanha e da Fronteira Oeste — o equivalente a um mês de precipitação. Mas quais regiões correm mais perigo e até quando o cenário se estende?
O mapa do risco: onde a tempestade bate mais forte
A combinação de calor, umidade e baixa pressão cria nuvens carregadas em todo o território gaúcho. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu avisos de “perigo” e “perigo potencial” para todas as regiões. O epicentro da instabilidade, porém, concentra-se em seis áreas:
- Campanha
- Oeste
- Missões
- Noroeste
- Centro
- Norte
Nesses locais, a Defesa Civil alerta para chuva intensa, queda de granizo — com pedras do tamanho da palma da mão — e rajadas destrutivas. Os acumulados diários variam entre 20 e 80 milímetros, mas pontos isolados da Campanha e do Oeste podem passar de 100 mm já neste domingo.
Municípios na mira dos maiores volumes
As projeções da Climatempo apontam os seguintes totais previstos para hoje:
- Santana do Livramento: 53 mm
- Rosário do Sul: 50 mm
- Dom Pedrito: 48 mm
- São Gabriel e Quaraí: 44 mm cada
Enquanto isso, o calor segue intenso no Norte e Noroeste. Horizontina pode atingir 35°C, e cidades como Iraí, Três Passos, Três de Maio e Frederico Westphalen devem registrar máximas de 33°C. O contraste térmico alimenta a instabilidade.
Segunda-feira: o dia mais crítico da sequência
O aprofundamento da baixa pressão e o início da organização do ciclone entre o continente e o Sul do país agravam o quadro na segunda (28). Rajadas acima de 90 km/h e granizo voltam a ser ameaça constante. Os acumulados saltam para 20 a 100 mm, com chance real de ultrapassar 130 mm em localidades da Campanha e do Oeste.
A Defesa Civil projeta cenários extremos: mais de 120 mm em apenas 12 horas e volumes acima de 170 mm em 24 horas nessas mesmas regiões. Entre as cidades com maior previsão para amanhã:
- São Gabriel: 82 mm
- São Sepé: 69 mm
- Rosário do Sul: 63 mm
- Santana do Livramento: 60 mm
- Santa Maria: 60 mm
Nos Vales, Vera Cruz (55 mm), Cachoeira do Sul (53 mm) e Santa Cruz do Sul (51 mm) também recebem volumes expressivos. Mas o efeito mais relevante aparece na terça-feira, quando o ciclone se consolida.
Terça-feira: ciclone organizado mantém o caos
Na terça (29), o sistema ciclônico associado à frente fria mantém a atmosfera instável. A Campanha e a Fronteira Oeste seguem como foco principal. Dom Pedrito lidera com cerca de 115 mm previstos, seguido por Santana do Livramento (105 mm) e Bagé (87 mm).
Outros municípios com acumulados elevados:
- Candiota: 73 mm
- Pinheiro Machado: 71 mm
- Quaraí: 71 mm
- Barra do Quaraí: 67 mm
Na região Sul, Pelotas e Capão do Leão devem receber cerca de 60 mm. A Defesa Civil mantém o alerta para temporais severos no Oeste, Centro e metade Norte do estado. A instabilidade só deve perder força a partir de quarta-feira, com o afastamento do sistema para o oceano.
Alertas oficiais e o que observar daqui pra frente
Dois avisos do Inmet cobrem todo o Rio Grande do Sul: um de “perigo” (nível laranja) e outro de “perigo potencial” (nível amarelo). A recomendação é evitar deslocamentos desnecessários, manter-se abrigado durante os picos de vento e granizo, e acompanhar atualizações pelas redes da Defesa Civil estadual e municipal.
Para quem atua em logística, agronegócio, construção ou seguros, os próximos 72 horas exigem monitoramento contínuo. Estradas na Campanha e na Fronteira Oeste podem ter trechos interditados por alagamentos ou queda de barreiras. Lavouras de soja e milho em fase final de colheita ou plantio de inverno estão expostas a perdas por granizo e enxurrada. Já o setor de energia deve preparar equipes para recomposição de rede diante de ventos acima de 90 km/h.
O cenário pós-terça dependerá da velocidade de deslocamento do ciclone para o Atlântico. Modelos indicam melhora gradual a partir de quarta, mas a saturação do solo eleva o risco de inundações tardias em bacias como a do Rio Uruguai e a do Rio Ibicuí. Mantenha o radar ligado.
