Economia

Fim da escala 6×1 pode impactar 35 milhões; fundador da Petz critica

Ameaça ao progresso ou proteção ao trabalhador?

A aprovação da PEC que proíbe a escala 6×1 e reduz a jornada para 40 horas semanais pode alterar a rotina de 35 milhões de brasileiros. Para o fundador da Petz, Sergio Zimerman, engessar o formato de trabalho em um modelo único de 5×2 emperra a economia. Mas o efeito mais relevante aparece na forma como as empresas vão lidar com a pressão por flexibilidade.

Zimerman defende que a definição da carga horária deve partir de um acordo mútuo. Segundo ele, tanta rigidez afasta oportunidades.

“Está tudo bem querer trabalhar menos, mas tem quem queira trabalhar mais. Se a Constituição proíbe isso, as pessoas são levadas à informalidade”, afirma o empresário.

O tamanho do impacto nos negócios

Aprovada em dois turnos pela Câmara no final de maio, a proposta que extingue a escala de seis dias seguidos precisa agora passar pelo Senado. O texto garante dois dias de folga por semana.

Os números mostram a dimensão da mudança. Cerca de 58,4% dos empregados com carteira assinada no país serão diretamente afetados, conforme dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais).

  • Modelo atual: Escala 6×1 e jornada de 44 horas semanais
  • Proposta da Câmara: Escala 5×2 e jornada de 40 horas semanais
  • Público impactado: 35 milhões de trabalhadores formais

Contradição na prática empresarial

Apesar da fala contundente do fundador, a maior varejista de animais de estimação do país não aplica a flexibilidade que prega. A Petz mantém seus funcionários justamente no modelo 6×1 e não realizou testes com jornadas alternativas até o momento.

Para Zimerman, não se pode impor regras idênticas para setores econômicos tão distintos. Ele atua ainda como presidente do conselho da Petz Cobasi, empresa nascida da fusão com a rival e que hoje soma mais de 500 unidades no país.

A alternativa em discussão no Senado

O empresário diz apoiar outra proposta em tramitação: a PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL/RN). O texto permite que o trabalhador escolha entre a CLT tradicional ou um regime baseado em horas trabalhadas com negociações individuais.

Na visão do fundador da Petz, o cenário é binário. “É uma discussão entre levar o país a um atraso ou a um progresso”, resumiu durante o Seminário Lide, em Barueri (SP).

O que observar daqui pra frente

O destino da escala 6×1 agora depende do Senado. Empresários que dependem de operação contínua precisam acompanhar a tramitação da PEC 12/2026 como uma possível rota de escape legislativo.

Se a restrição for aprovada sem alternativas flexíveis, o custo de adequação pode forçar revisões de quadro ou o aumento da terceirização. Por outro lado, o mercado de trabalho formal pode ganhar novas demandas se a informalidade crescer como refúgio para quem prefere jornadas maiores.