Economia

Visa e Mastercard na mira das stablecoins: o impacto num mercado de US$ 300 bi

Visa e Mastercard na mira das stablecoins: impacto em mercado de US$ 300 bi
Visa e Mastercard negociam consórcio com Stripe e Coinbase para desafiar o domínio da Tether no mercado de stablecoins.

As gigantes dos pagamentos e o fim do monopólio

Visa e Mastercard negociam a criação de uma plataforma de stablecoins com a Stripe e a Coinbase. O que parece um simples movimento corporativo pode redesenhar as regras do jogo para empresas que dependem de dólar digital e pagamentos transfronteiriços. Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.

As conversas apontam para a formação de um consórcio inédito. O objetivo é desafiar a década de domínio da Tether e da Circle, que hoje controlam o fluxo de tokens atrelados ao dólar. Embora não haja cronogramas ou acordos formais fechados, a mera intenção das maiores processadoras de cartões do mundo já sinaliza uma mudança de rota.

O efeito direto no varejo e nos negócios

Se o projeto sair do papel, a principal consequência será a aceleração da adoção de stablecoins no varejo. Visa, Mastercard e Stripe já processam uma fatia gigantesca das transações comerciais diárias. A integração de um token próprio à essa infraestrutura reduziria barreiras técnicas e custos de câmbio para o empresário que compra ou vende internacionalmente.

Para o mercado corporativo, a novidade traz uma perspectiva real de eficiência. Em vez de operar fora das redes tradicionais, as moedas digitais entrariam no ecossistema de pagamentos já dominante. Contudo, a ameaça a quem hoje lidera esse segmento é iminente.

O que muda para a Circle e a Coinbase

A Circle, emissora do USDC, é a principal afetada. O token responde pela maior parte da atividade de stablecoins reguladas na América do Norte e na Europa. A entrada de processadoras tradicionais com soluções próprias colide diretamente com esse domínio.

Já a posição da Coinbase gera questões de negócio. Hoje, a exchange lucra com um contrato de 2023 com a Circle, ficando com a maior parte dos juros das reservas do USDC. A Coinbase afirma que o acordo se renova automaticamente e a parceria deve continuar. Ainda assim, a renegociação futura tende a ser menos vantajosa, o que torna um novo consórcio uma aposta estratégica para garantir novas fontes de receita.

  • Receita das reservas: Juros sobre lastro de dólares podem financiar o novo arranjo.
  • Adoção em massa: Redes de cartões dão escala imediada ao token.
  • Trilha regulatória: Estrutura própria facilita compliance para clientes comerciais.

Por que o consórcio pode não sair do papel

A história do mercado financeiro está cheia de grandes alianças que nunca deixaram a fase de negociação. Casos como o da Libra, do Facebook em 2019, ou a coalizão blockchain da R3, uma década atrás, mostram que consórcios falham mais do que succeedem. A dificuldade principal? Alinhar interesses de concorrentes diretos.

Além da desconfiança natural entre rivais, há a barreira regulatória. Mesmo em um cenário político mais favorável nos Estados Unidos, órgãos de defesa da concorrência vão observar de perto qualquer joint venture entre as maiores processadoras de pagamentos do globo. A aprovação tende a levar meses.

O que observar daqui para frente

Para o empresário e o investidor, o sinal de alerta não é a criação iminente de um novo token, mas a validação definitiva do modelo. Se líderes como Visa e Mastercard estão dispostos a estruturar uma stablecoin corporativa, o uso de dólar digital em operações B2B deixará de ser uma experiência de nicho para se tornar infraestrutura padrão.

Nos próximos meses, o indicador concreto a acompanhar não é o anúncio de um produto, mas a movimentação de talentos e a formalização de memorandos. Enquanto isso não ocorrer, trata-se apenas de intenções. Ainda assim, quem planeja fluxos de caixa e pagamentos internacionais já pode começar a mapear como a competição entre stablecodes poderá reduzir custos de transação no futuro próximo.