Internacional

Austrália pressiona big techs: “Não fazemos isso sozinhos” na proteção infantil

Anthony Albanese e Tim Cook se reunindo na Califórnia para discutir regulação de redes sociais para menores
Primeiro-ministro australiano Anthony Albanese se encontra com Tim Cook para debater proteção infantil online.

O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese desembarcou na Califórnia com um recado direto para o Vale do Silício: a regulação de redes sociais para menores de idade só funciona se as plataformas colaborarem. O encontro com Tim Cook, ex-CEO da Apple, selou um apoio simbólico que pode ditar o ritmo global daqui para frente.

A Austrália se tornou, em dezembro de 2025, o primeiro país a proibir o acesso a redes sociais para menores de 16 anos. A medida virou referência — e agora o governo quer transformar o isolamento regulatório em padrão internacional.

O que Cook disse — e o que não disse

Segundo Albanese, Cook dedicou “bastante tempo” à conversa e classificou a legislação australiana como “referência mundial”. A Apple, por sua vez, limitou-se a publicar no X que o executivo compartilhou “controles robustos e intuitivos para ajudar a manter as crianças seguras online”.

Nem endosso explícito à lei, nem resistência pública. O silêncio calculado da Apple revela o dilema das big techs: apoiar demais cria precedentes; opor-se demais desgasta a imagem.

O próximo passo: feeds controlados pelo usuário

Este mês, a Austrália avançou mais uma casa. O novo plano permite que usuários escolham que tipo de conteúdo aparece no feed — tirando das plataformas o poder algorítmico de decidir o que menores veem. A implementação prevê:

  • Configurações padrão de segurança para contas de menores
  • Opção de feed cronológico sem recomendação algorítmica
  • Relatórios de transparência trimestrais obrigatórios

A Comissão Europeia seguiu o exemplo em 2025, propondo proibição para menores de 13 anos. O efeito dominó já começou.

IA: o segundo front da visita

Albanese não foi só tratar de redes sociais. Em meio ao debate no Vale do Silício sobre a velocidade do desenvolvimento de IA, o premiê defendeu um arcabouço global para manter “os seres humanos no controle”. A posição contrasta frontalmente com a de Donald Trump, que descartou regulações adicionais.

“A IA avança muito rapidamente”, disse Albanese. “Precisamos debater qual deve ser o quadro global de implementação.”

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar se a estratégia australiana vira modelo ou exceção: adesão de Meta, Google e TikTok aos novos padrões de feed; resposta legislativa dos EUA — hoje paralisada pela polarização; e a capacidade técnica de verificar idade sem violar privacidade. O primeiro teste real vem no segundo semestre de 2025, quando as multas por descumprimento entram em vigor.