O Grupo Capim Santo acaba de assumir a operação gastronômica da Reserva Morros Verdes, em Ibiúna, a apenas 70 quilômetros de São Paulo. A propriedade de 300 hectares de Mata Atlântica preservada passa a ser o novo palco para eventos corporativos de alto padrão. Mas a estratégia por trás do movimento revela muito mais do que uma simples mudança de endereço.
Uma reserva que funciona como despensa viva
O diferencial não está apenas na paisagem. A Reserva Morros Verdes produz os próprios insumos: mel de abelhas nativas, frutas da Mata Atlântica como uvaia, araçá, jabuticaba, grumixama e cambuci, além de hortaliças orgânicas cultivadas em sistema agroflorestal.
O cardápio será construído em torno dessa despensa natural. Cada ingrediente percorre metros, não quilômetros, até chegar ao prato — um argumento forte para empresas que buscam credenciais ESG reais em seus eventos.
O modelo de negócio por trás da expansão
A CEO Mariana Fragoso define a chegada à reserva como “um passo importante na expansão do nosso negócio de experiências”. O grupo hoje opera seis verticais simultâneas:
- Instituto Capim Santo — educação e pesquisa gastronômica
- Buffet Capim Santo — eventos corporativos e sociais
- Refeições corporativas diárias — contratos de alimentação contínua
- Refeições escolares — gestão de cantinas educacionais
- Restaurantes — operações próprias de varejo
- Hospitalidade — gestão de espaços e experiências imersivas
A reserva preenche uma lacuna na vertical de hospitalidade: um destino próprio, com infraestrutura completa — bangalôs, cachoeiras, trilhas, lago, rio e espaços modulares para eventos — sem depender de terceiros.
Números que dimensionam a operação
Em 2025, o buffet do grupo realizou 670 eventos no Brasil e no exterior. A lista inclui a cúpula do G20 e a caravana do Cirque du Soleil. No portfólio de clientes recorrentes estão Hospital Sírio-Libanês, Colégio São Luís, Beacon School, Insper, Johnson & Johnson e Amil.
A capilaridade geográfica já cobre São Paulo, Belo Horizonte — onde opera no Instituto Inhotim — e Trancoso. Ibiúna adiciona um ativo estratégico: proximidade da capital paulista com infraestrutura de destino.
O que observar daqui pra frente
A aposta em insumos nativos da Mata Atlântica pode abrir uma nova frente de receita: a comercialização desses produtos para varejo e food service. Espécies como cambuci e grumixama ainda têm cadeia produtiva incipiente, mas demanda crescente na alta gastronomia.
Outro ponto de atenção é a integração entre as verticais. A reserva pode funcionar como laboratório para cardápios que depois escalam para os contratos de refeições corporativas e escolares — reduzindo custos de P&D e criando diferencial competitivo difícil de replicar.
Para o mercado de eventos, a mensagem é clara: a barreira de entrada para “experiência completa com credencial de sustentabilidade rastreável” acabou de subir.
