Pela terceira pesquisa consecutiva, o Datafolha aponta empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno: 46% a 44%. A estabilidade ocorre mesmo com a crise no STF dominando o noticiário durante a coleta de dados.
A margem de erro de dois pontos percentuais engole a diferença. O cenário congelado levanta uma questão central para analistas de risco: o eleitorado já fez a escolha ou aguarda um gatilho para migrar?
O que os números revelam sobre a solidez das bases
O levantamento, realizado entre 15 e 17 de setembro com 2.002 eleitores, mostra que a polarização segue blindada a choques institucionais. Nos votos válidos — que excluem brancos, nulos e indecisos —, a disputa segue acirrada, sugerindo que a definição dependerá da mobilização de última hora e da taxa de abstenção.
Brancos e nulos somam 8%, patamar estável. Indecisos, 1%. O teto de ambos os candidatos parece definido, restando saber quem tem o piso mais alto para evitar desidratação na reta final.
O efeito da crise do STF nas intenções de voto
A campo coincidiu com a sessão explosiva no Supremo envolvendo mensagens do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. O episódio expôs rachas internos na Corte, mas não moveu a agulha eleitoral.
Isso pode indicar dois movimentos simultâneos: a judicialização da política já está precificada pelo eleitor ou o impacto demora a decantar nas camadas menos politizadas. Para o mercado, a incerteza institucional permanece como variável não controlada.
Cenários alternativos: quem ameaça a polarização?
O Datafolha testou Lula contra outros nomes da direita e do centro. Apenas um empate técnico surgiu fora da dupla principal:
- Lula x Ronaldo Caiado (União): 46% a 42% — governador goiano reduz a distância para 4 pontos.
- Lula x Romeu Zema (Novo): 49% a 39% — maior vantagem petista entre os testes.
- Lula x Augusto Cury: 44% a 44% — empate técnico com o escritor, nome sem estrutura partidária consolidada.
O desempenho de Caiado chama atenção: ele é o único político tradicional a aproximar-se da margem de erro, sinalizando potencial de aglutinação do centro-direita caso a candidatura Flávio Bolsonaro enfrente obstáculos jurídicos ou de viabilidade.
Primeiro turno: a largada que define o fim do jogo
Na simulação de primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 35%. A diferença de 4 pontos replica o abismo do segundo turno, mas o volume de “nenhum/branco/nulo” e indecisos supera 20%.
Esse bloco flutuante é o verdadeiro fiel da balança. Historicamente, ele migra para o candidato percebido como “vencedor” nas últimas semanas — fenômeno de voto útil que costuma ampliar a vantagem do líder nas pesquisas.
O que observar daqui para frente
Três variáveis devem ditar os próximos movimentos: a tramitação de eventuais inelegibilidades no TSE, a condução da economia (juros, emprego, renda) e a capacidade de cada campo de transformar rejeição do adversário em voto próprio. O empate de hoje não garante o empate de amanhã; garante apenas que a disputa entrou em modo “guerra de trincheiras”.
