Tecnologia

Kart de realidade mista fatura R$ 120 mil/mês: o segredo do modelo itinerante

Kart de realidade mista com dinossauros virtuais em pista física
Kart da VRland projeta dinossauros e poderes virtuais na pista, faturando R$ 120 mil/mês em modelo itinerante por shoppings.

Um kart que projeta dinossauros e poderes virtuais na pista física fatura R$ 120 mil por mês rodando shoppings pelo Brasil. A operação nasceu de uma aposta arriscada na China e hoje dispensa aluguel fixo. Entenda como o modelo itinerante transformou a sazonalidade em vantagem competitiva.

O empresário Rodrigo Martins comanda a VRland, parque de realidade mista que leva a atração principal — um kart sincronizado com óculos de realidade virtual — para diferentes cidades. O ticket médio sai a R$ 79,90 e a exclusividade da tecnologia no país funciona como barreira de entrada: a concorrência está, pelo menos, um ano atrasada.

A virada que veio da China

Tudo começou em 2023, com um parque de realidade virtual fixo no interior paulista. O fluxo inicial era forte, mas caía após seis a doze meses — o público local já conhecia a novidade. Foi numa viagem a fornecedores chineses que surgiu a proposta de exclusividade para o mercado brasileiro.

O fabricante exigiu expansão acelerada: dez novos parques. Martins fechou em cinco. Nessa mesma viagem, conheceu o protótipo do kart de realidade mista, que funde pilotagem real com cenários digitais perfeitamente sincronizados. O investimento total para trazer a tecnologia girou em torno de R$ 1 milhão.

Por que o modelo fixo travou

Parques estáticos em shoppings enfrentam um teto natural: a novidade expira. O público da região esgota-se em meses e a receita entra em curva descendente. Martins percebeu que a solução não era abrir mais unidades fixas, mas levar a mesma estrutura para onde o público ainda não tinha experimentado.

  • Problema: queda de movimento após 6 a 12 meses na mesma praça
  • Solução: operação itinerante que renova o público a cada cidade
  • Resultado: eliminação do aluguel fixo e convites dos próprios shoppings

Hoje, os centros de compra chamam a VRland para atrair fluxo. “Praticamente não pago aluguel”, resume o empreendedor. A logística virou sociedade com uma empresa especializada em eventos, o que permite montar e desmontar a estrutura com agilidade.

A sazonalidade como ferramenta de gestão

O faturamento não é linear — e a empresa usa isso a favor. Férias escolares, Dia das Crianças, Black Friday e Natal concentram os picos de demanda. Nos meses fracos, a estratégia inverte: descontos agressivos durante a semana para manter ocupação mínima e fluxo de caixa.

Além do kart, o portfólio inclui simuladores de montanha-russa e atrações para diferentes faixas etárias. A diversificação amortece a dependência de um único produto e aumenta o tempo de permanência da família no local.

O que vem depois dos 120 mil

Martins afirma que a operação “não rodou nem 1% do potencial”. A próxima jogada já está em desenvolvimento: uma nova atração com tecnologia 100% nacional, prevista para os próximos meses. Detalhes seguem em segredo, mas a lógica permanece — lançar experiências inéditas antes que a concorrência alcance o patamar atual.

Enquanto o kart cruza cenários pré-históricos em shoppings de norte a sul, a lição para quem observa o mercado é clara: exclusividade tecnológica + mobilidade operacional + gestão de sazonalidade criam um moat defensável. O próximo movimento da VRland dirá se o teto de R$ 120 mil mensais é piso ou teto.

O que observar daqui pra frente: o lançamento da atração nacional, a velocidade de expansão para novas regiões e a resposta do mercado quando (ou se) concorrentes replicarem a tecnologia de realidade mista.