Eduardo Paes (PSD) continua na frente na corrida pelo Palácio Guanabara, mas a margem de segurança encolheu drasticamente em um ano. O deputado Douglas Ruas (PL) surge como o nome que mais cresce, transformando uma eleição que parecia definida em uma disputa real.
O levantamento Real Time Big Data, registrado no TSE como RJ-03902/2026, ouviu 2.000 eleitores entre 9 e 12 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança. Os números mostram um cenário volátil a um ano do pleito.
O choque de realidade no primeiro turno
No cenário principal, Paes marca 35% contra 25% de Ruas. Anthony Garotinho (Republicanos) aparece com 7%, mas carrega uma incerteza judicial que pode tirá-lo da urna. A grande notícia não é quem lidera, mas a velocidade da perseguição.
Em outubro de 2025, o ex-prefeito cravava 53% das intenções de voto. Ruas nem era candidato. Hoje, a diferença caiu para dez pontos. Para um empresário ou investidor, isso sinaliza instabilidade regulatória e política no segundo maior PIB do país.
- Eduardo Paes (PSD): 35%
- Douglas Ruas (PL): 25%
- Anthony Garotinho (Republicanos): 7%
- William Siri (PSol): 5%
- Outros: 13% (somados)
- Branco/Nulo/NS: 19%
O “efeito Garotinho” e a transferência de votos
Se Garotinho for impedido de concorrer — hipótese forte dada sua ficha corrida —, o tabuleiro muda de figura. Paes sobe apenas um ponto (36%), mas Ruas ganha dois (27%). A distância cai para nove pontos.
Isso indica que o eleitorado do ex-governador não migra automaticamente para Paes. Há um eleitorado de direita/orfão de Bolsonaro que vê em Ruas a alternativa natural. Esse movimento é o termômetro para medir a força do palanque federal no estado.
Segundo turno: a blindagem de Paes tem rachaduras
Nos simulados de segundo turno, Paes ainda vence, mas a gordura para queimar diminuiu.
- Paes 42% x Ruas 33% (Indecisos: 25%)
- Paes 45% x Garotinho 24% (Indecisos: 31%)
O alto índice de indecisos (acima de 25% nos dois casos) é o dado mais perigoso para o favorito. Em eleição polarizada, quem não decide no primeiro turno costuma quebrar para o desafiante. A rejeição explica parte dessa dinâmica.
Rejeição: o ativo oculto de Ruas
Aqui está o segredo que poucos analistas destacam: Douglas Ruas tem a menor rejeição entre os principais nomes — apenas 26%. Paes chega a 43%. Garotinho lidera isolado com 62%.
Em termos práticos, Ruas tem o maior teto de crescimento. Quem não vota nele hoje não o odeia; apenas não o conhece. Paes, por outro lado, já é conhecido por quase todo o eleitorado e carrega o peso da gestão municipal e estadual recente.
O que observar daqui para frente
Três variáveis vão ditar o ritmo até outubro: a viabilidade jurídica de Garotinho, a exposição de Ruas na TV e no horário eleitoral (onde o PL tem tempo generoso) e a capacidade de Paes descolar sua imagem da avaliação do governo Lula no estado.
Se Ruas mantiver a taxa de conversão de conhecimento em voto atual, a eleição deixa de ser “vencida no primeiro turno” para se tornar uma guerra de arrancada. Para quem aloca capital ou planeja negócios no Rio, o cenário base mudou: planeje para um segundo turno competitivo.
