Justiça

Paes lidera no Rio, mas vantagem derrete: o que a nova pesquisa esconde sobre 2026

Eduardo Paes em evento político no Rio, gráficos de pesquisa eleitoral 2026 ao fundo
Paes lidera corrida ao governo do RJ, mas vantagem cai; Douglas Ruas (PL) cresce em nova pesquisa.

Eduardo Paes (PSD) continua na frente na corrida pelo Palácio Guanabara, mas a margem de segurança encolheu drasticamente em um ano. O deputado Douglas Ruas (PL) surge como o nome que mais cresce, transformando uma eleição que parecia definida em uma disputa real.

O levantamento Real Time Big Data, registrado no TSE como RJ-03902/2026, ouviu 2.000 eleitores entre 9 e 12 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança. Os números mostram um cenário volátil a um ano do pleito.

O choque de realidade no primeiro turno

No cenário principal, Paes marca 35% contra 25% de Ruas. Anthony Garotinho (Republicanos) aparece com 7%, mas carrega uma incerteza judicial que pode tirá-lo da urna. A grande notícia não é quem lidera, mas a velocidade da perseguição.

Em outubro de 2025, o ex-prefeito cravava 53% das intenções de voto. Ruas nem era candidato. Hoje, a diferença caiu para dez pontos. Para um empresário ou investidor, isso sinaliza instabilidade regulatória e política no segundo maior PIB do país.

  • Eduardo Paes (PSD): 35%
  • Douglas Ruas (PL): 25%
  • Anthony Garotinho (Republicanos): 7%
  • William Siri (PSol): 5%
  • Outros: 13% (somados)
  • Branco/Nulo/NS: 19%

O “efeito Garotinho” e a transferência de votos

Se Garotinho for impedido de concorrer — hipótese forte dada sua ficha corrida —, o tabuleiro muda de figura. Paes sobe apenas um ponto (36%), mas Ruas ganha dois (27%). A distância cai para nove pontos.

Isso indica que o eleitorado do ex-governador não migra automaticamente para Paes. Há um eleitorado de direita/orfão de Bolsonaro que vê em Ruas a alternativa natural. Esse movimento é o termômetro para medir a força do palanque federal no estado.

Segundo turno: a blindagem de Paes tem rachaduras

Nos simulados de segundo turno, Paes ainda vence, mas a gordura para queimar diminuiu.

  • Paes 42% x Ruas 33% (Indecisos: 25%)
  • Paes 45% x Garotinho 24% (Indecisos: 31%)

O alto índice de indecisos (acima de 25% nos dois casos) é o dado mais perigoso para o favorito. Em eleição polarizada, quem não decide no primeiro turno costuma quebrar para o desafiante. A rejeição explica parte dessa dinâmica.

Rejeição: o ativo oculto de Ruas

Aqui está o segredo que poucos analistas destacam: Douglas Ruas tem a menor rejeição entre os principais nomes — apenas 26%. Paes chega a 43%. Garotinho lidera isolado com 62%.

Em termos práticos, Ruas tem o maior teto de crescimento. Quem não vota nele hoje não o odeia; apenas não o conhece. Paes, por outro lado, já é conhecido por quase todo o eleitorado e carrega o peso da gestão municipal e estadual recente.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar o ritmo até outubro: a viabilidade jurídica de Garotinho, a exposição de Ruas na TV e no horário eleitoral (onde o PL tem tempo generoso) e a capacidade de Paes descolar sua imagem da avaliação do governo Lula no estado.

Se Ruas mantiver a taxa de conversão de conhecimento em voto atual, a eleição deixa de ser “vencida no primeiro turno” para se tornar uma guerra de arrancada. Para quem aloca capital ou planeja negócios no Rio, o cenário base mudou: planeje para um segundo turno competitivo.