Economia

Oncoclínicas troca comando financeiro: Hasson assume no lugar de Quintino

Maurício Hasson, novo CFO e diretor de RI da Oncoclínicas, em foto corporativa
Maurício Hasson assume diretoria financeira e de relações com investidores da Oncoclínicas

A Oncoclínicas confirmou nesta segunda-feira (14) a nomeação de Maurício Hasson para a diretoria financeira e de relações com investidores, encerrando cinco meses de interinidade sob Isaac Quintino. A mudança ocorre em momento de reestruturação de dívida e expansão da rede oncológica.

Hasson assume o posto deixado definitivamente por Marcel Cecchi Vieira, que renunciou em abril. O executivo chega com a missão de conduzir a comunicação com o mercado num ano decisivo para a companhia.

Quem é o novo homem-forte das finanças

Maurício Hasson traz no currículo passagens por grandes grupos de saúde e varejo. Antes de chegar à Oncoclínicas, atuou como CFO da Rede D’Or — maior operadora hospitalar do país — onde liderou processos de captação e gestão de estrutura de capital.

Sua experiência inclui ainda posições de destaque no Pão de Açúcar e na Amil. No mercado, é visto como perfil técnico, com foco em disciplina de alocação de capital e relacionamento com investidores institucionais.

O vácuo de abril e a ponte interina

A saída de Marcel Cecchi Vieira pegou analistas de surpresa. Na ocasião, a empresa não detalhou os motivos da renúncia, limitando-se a comunicar a transição. Isaac Quintino, então diretor de controladoria, assumiu interinamente as duas frentes.

Nos cinco meses à frente, Quintino manteve a rotina de divulgação de resultados e encontros com analistas. Internamente, tocou a preparação do plano de alongamento de dívida que agora passa às mãos de Hasson.

O que está em jogo nos próximos trimestres

A Oncoclínicas carrega hoje uma dívida líquida de aproximadamente R$ 2,3 bilhões, segundo o último balanço divulgado. A alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA encerrou junho em 3,4 vezes — acima do teto de 3,0 vezes estipulado em alguns contratos de debêntures.

  • Alongamento de perfil: renegociação de vencimentos de curto prazo para 2027-2029
  • Redução de custo: troca de indexadores atrelados ao CDI por prefixados ou IPCA+
  • Covenants: evitar gatilhos de vencimento antecipado nas debêntures da 3ª e 4ª séries

Hasson terá de entregar esse pacote sem comprometer o plano de abertura de novas unidades — a meta anunciada prevê 15 novos centros até o fim de 2027.

Reação do mercado e visão dos analistas

Na abertura do pregão, as ações ONCO3 oscilaram entre leve alta e estabilidade, girando em torno de R$ 8,50. O volume financeiro ficou 18% acima da média dos últimos 20 pregões, sinalizando interesse renovado na tese.

Relatórios distribuídos por três casas de research nesta manhã convergem num ponto: a nomeação remove uma incerteza, mas o teste real virá com a divulgação do 3T26, prevista para novembro. “A execução do refinanciamento será o termômetro da credibilidade da nova gestão”, escreveu um analista do BTG Pactual.

O que observar daqui para frente

Três marcos ditam o ritmo dos próximos 90 dias: a apresentação do plano de alongamento ao conselho (prevista para outubro), a assembleia de debenturistas para aprovar eventuais waivers de covenants e a divulgação do resultado do terceiro trimestre. Hasson estreia sob lupa — e o relógio já está correndo.