O PRTB oficializou a substituição de Pablo Marçal por Leonardo Avalanche na disputa ao Palácio do Planalto. A mudança ocorre às vésperas do prazo legal e reconfigura o tabuleiro eleitoral de 2026. Mas o que isso sinaliza para a viabilidade da chapa e para os demais concorrentes?
Marçal protocolou carta de renúncia na segunda-feira (14), último dia permitido pela legislação para troca de cabeça de chapa. Em seu lugar assume o próprio presidente da sigla, que até então ocupava a vaga de vice. A nova composição já consta no sistema do TSE com Silvia Helena da Silva Pereira na vice-presidência.
O golpe judicial que forçou a troca
A decisão não foi voluntária. Na sexta-feira (11), o Tribunal Superior Eleitoral indeferiu por unanimidade o registro de Marçal. O Ministério Público Eleitoral demonstrou que o influenciador não estava filiado ao PRTB em abril, quando se encerrou a janela partidária — à época, ele integrava os quadros do União Brasil.
Some-se a isso a inelegibilidade até 2032, decorrente de condenação por abuso de poder político e econômico na campanha à prefeitura de São Paulo em 2024. Com o registro barrado e o prazo se esgotando, o partido não teve alternativa senão ativar o plano B.
Quem é Leonardo Avalanche e o que ele traz à chapa
Presidente nacional do PRTB, Avalanche era o vice na chapa original. Para assumir o topo, também precisou renunciar à candidatura anterior. O movimento interno foi articulado em menos de 72 horas, demonstrando capacidade de resposta da legenda — ainda que sob pressão judicial.
A nova vice, Silvia Helena da Silva Pereira, completa uma chapa 100% partidária, sem nomes de fora da estrutura. Isso reduz ruídos de coligação, mas também limita o alcance eleitoral a redes já existentes.
Cronologia decisiva: os dias que definiram o rumo
- Abril/2026: prazo final da janela partidária — Marçal ainda no União Brasil
- 11/09/2026: TSE indefere registro de Marçal por unanimidade
- 14/09/2026: último dia legal para substituição; Marçal e Avalanche renunciam
- 15/09/2026: nova chapa publicada no sistema do TSE
Impacto direto no cenário eleitoral
A saída de Marçal remove um polo de alta rejeição e alta mobilização digital. Avalanche herda a estrutura partidária, mas não o capital de audiência do ex-coach. Para investidores e analistas de risco político, a variável “imprevisibilidade” cai — o que pode ser positivo para a estabilidade do pleito, mas negativo para a capacidade da chapa de furar bolhas.
O tempo de TV e o fundo partidário permanecem inalterados, pois pertencem à legenda. A questão agora é conversão: o PRTB consegue transformar estrutura em votos sem o motor de engajamento que Marçal representava?
O que observar nas próximas semanas
Três indicadores dirão se a troca foi cirúrgica ou apenas paliativa: a curva de intenção de voto da chapa nas primeiras pesquisas pós-substituição; a adesão (ou debandada) de lideranças regionais do PRTB; e a capacidade de Silvia Helena de articular agendas próprias que deem identidade à campanha. O primeiro teste real virá no horário eleitoral gratuito — lá, estrutura fala mais alto que algoritmo.
