O Uruguai voltou a comprar frango e derivados do Brasil na sexta-feira (6), encerrando a última barreira de abrangência nacional imposta após a detecção da doença de Newcastle. Com a medida, as restrições comerciais ficam confinadas a Santa Catarina, onde os focos foram identificados.
México e Malásia já haviam revertido embargos semelhantes nas semanas anteriores. Agora, nenhum parceiro comercial mantém veto geral ao produto brasileiro, segundo o Ministério da Agricultura (Mapa).
Por que a velocidade da reversão importa para o seu negócio
O governo brasileiro derrubou os embargos nacionais em 19 dias. Em 2024, quando a doença atingiu o Rio Grande do Sul, o mesmo processo levou 74 dias — quase quatro vezes mais tempo.
Para exportadores e investidores, a diferença não é apenas numérica. Ela sinaliza que a credibilidade do sistema de defesa sanitária brasileiro evoluiu e que parceiros internacionais confiam na capacidade do país de isolar riscos localizados.
O impacto real nas exportações mensais
Com as restrições limitadas a Santa Catarina, a perda estimada gira em torno de 15 mil toneladas por mês. Isso equivale a 3% da média mensal de embarques, que ronda 500 mil toneladas.
- Volume afetado: ~15 mil toneladas/mês
- Participação no total: 3%
- Área sob restrição: 4 municípios catarinenses
Os números mostram que o choque logístico e financeiro é contido, mas não nulo. Empresas com cadeia de fornecimento na região precisam monitorar a evolução dos focos.
Onde a doença foi detectada e o que vem a seguir
O primeiro foco surgiu em 18 de outubro, em granja de perus em Nova Itaberaba (SC). Depois, Coronel Freitas e Nova Erechim registraram casos. A área de restrição sanitária abrange esses três municípios mais Águas Frias.
O Mapa já negocia para que o reconhecimento internacional se limite exatamente a essa zona — e não a todo o estado. Se bem-sucedido, o impacto adicional cairia para perto de zero.
O que observar nas próximas semanas
A prioridade agora é a retirada dos embargos estaduais impostos por Arábia Saudita, China e Chile. A China já aceitou regionalização na prática, mas a formalização ainda depende de trâmites burocráticos.
Para quem opera no setor, o sinal claro é: o Brasil demonstrou agilidade diplomática e sanitária. Manter contratos e planejar expansões com base nessa resiliência deixa de ser aposta e vira dado concreto.
