Economia

Açúcar dispara 30% em 12 meses e quebra regra geral dos alimentos; entenda o choque

Gráfico mostra alta de 30% no preço do açúcar em 12 meses, destoando da queda geral dos alimentos
Preço do açúcar dispara 30% em um ano enquanto índice FAO de alimentos recua 1,2%

O preço internacional do açúcar saltou 28,8% em um ano, atingindo o maior nível desde dezembro de 2024, enquanto o índice geral de alimentos da FAO caiu 1,2% apenas em outubro. Essa divergência rara coloca o adoçante no centro das atenções de traders e indústrias alimentícias.

O movimento contrasta com a queda de cereais, carnes e laticínios. A pergunta que fica: até quando a oferta brasileira conseguirá sustentar essa escalada?

Chuvas no Centro-Sul travam a moagem e assustam o mercado

A principal causa do rally é climática. Precipitações acima da média no Centro-Sul do Brasil interromperam a colheita e a moagem da cana-de-açúcar na reta final da safra 2024/25. Com máquinas paradas no barro, a disponibilidade imediata de matéria-prima encolheu.

A FAO cita explicitamente “interrupções relacionadas às chuvas nas operações” como o vetor central da alta de 6,6% frente a setembro. Foi a quarta valorização mensal consecutiva.

O fantasma da safra 2026/27 já pesa nos contratos futuros

Não é só o clima atual. Incertezas sobre o próximo ciclo produtivo em três gigantes globais — Índia, União Europeia e Tailândia — injetam prêmio de risco nos preços. Qualquer redução de área ou quebra de produtividade nesses origens tende a manter o mercado apertado.

Com isso, o açúcar se descola da tendência de baixa dos demais commodities agrícolas.

Índice FAO recua puxado por grãos e proteína animal

Enquanto o adoçante sobe, a cesta geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura fechou outubro em 133,9 pontos. Veja o que caiu no mês:

  • Cereais: -4,5% (trigo e milho em queda forte);
  • Carnes: -1,2% (suína, bovina e ovina mais baratas);
  • Laticínios: -1,1% (manteiga e queijo sob pressão).

O arroz foi exceção entre grãos, subindo 1,6% por atrasos de colheita e custos maiores. Óleos vegetais avançaram 0,3%, liderados pela soja no maior patamar desde 2022.

Por que o trigo e o milho despencaram?

A demanda internacional fraca e boas perspectivas de safra na Argentina derrubaram o trigo, que vinha de quatro altas mensais. No milho, a colheita nos EUA e a expectativa de oferta recorde na América do Sul pressionaram as cotações.

A possível redução de tensões logísticas no Mar Negro funcionou como catalisador adicional, embora gargalos de escoamento ainda existam na região.

O que observar daqui para frente

O fechamento da safra brasileira nos próximos 30 dias ditará o ritmo curto. Se o tempo secar e a moagem acelerar, a pressão de oferta alivia. Caso contrário, o déficit global projetado para 2025/26 pode levar o açúcar a testar novas máximas plurianuais.

Para o empresário do setor alimentício, a estratégia de hedge de matéria-prima doce torna-se urgente. Para o investidor, o spread entre açúcar e grãos abre janelas de arbitragem que merecem monitoramento diário.