O empresário Neymar da Silva Santos, pai do craque da Seleção, virou réu em uma disputa judicial que ultrapassa os R$ 58 milhões. O pivô não é a mansão de R$ 94,5 milhões que ele comprou em Tamboré, mas sim a casa de Alphaville dada como parte do pagamento — um imóvel que carrega um processo por obras irregulares desde 2023.
A vendedora, a D.Y.T.T. Administradora de Imóveis, quer o dinheiro de volta. E o contrato prevê uma multa de 20% sobre o valor total do negócio. Entenda por que esse imbróglio pode travar a transferência da propriedade mais cara da negociação.
A operação que parecia fechada — e o “pulo do gato” no pagamento
Em maio de 2025, Neymar pai assinou a compra de uma mansão no Residencial Tamboré 3, em Santana de Parnaíba. O preço final: R$ 94,5 milhões. Mas só uma fração sairia do bolso.
O combinado era uma dação em pagamento: o empresário entregaria uma casa própria no Residencial Alphaville 2, em Barueri, avaliada em R$ 32 milhões — cerca de um terço do valor total. O resto, em dinheiro.
No papel, tudo resolvido. Na prática, a casa de Alphaville já era alvo de briga judicial antes mesmo de entrar no negócio.
O imóvel “envenenado”: obras irregulares e recurso no STJ
A Associação Residencial Alphaville 2 acionou a Justiça em 2023 questionando reformas feitas na propriedade fora das regras do loteamento. A decisão determinou adequações. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve. O caso subiu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde segue com recurso pendente.
Ou seja: quando a D.Y.T.T. aceitou a casa como pagamento, o imóvel já carregava uma nuvem jurídica. A vendedora agora alega que Neymar pai assumiu contratualmente a responsabilidade de entregá-lo regularizado. A defesa do empresário rebate: a empresa sabia da situação e topou o negócio mesmo assim.
Os três pilares da cobrança de R$ 58,9 milhões
A ação da D.Y.T.T. não se resume à casa de Alphaville. O valor da causa soma três frentes:
- R$ 32 milhões — valor da casa de Alphaville que a vendedora não quer mais receber; exige o equivalente em dinheiro.
- R$ 18,9 milhões — cláusula de perdas e danos de 20% sobre o valor total da mansão (R$ 94,5 mi).
- R$ 1,8 milhão — retenção de R$ 2 milhões prevista para ajustes finais na mansão de Tamboré (boliche, spa, cozinha, pintura e acabamentos), corrigida com juros.
Somados e atualizados, chegam aos R$ 58,9 milhões que dão nome ao processo.
O que a Justiça decidiu até agora — e o que vem por aí
A juíza Bruna Lyrio Martins, da 5ª Vara Cível de Barueri, negou o pedido de urgência da D.Y.T.T. para bloquear a transferência definitiva da mansão de Tamboré. Entendeu que, no momento, não há elementos para alterar o acordo firmado entre as partes.
O processo, porém, segue ativo. O mérito ainda será julgado. Se a vendedora vencer, a dação em pagamento pode ser desfeita — e Neymar pai teria de desembolsar os R$ 32 milhões em espécie, além de arcar com a multa contratual e a retenção corrigida.
O que observar daqui para frente
Três pontos ditam o desfecho: a decisão final do STJ sobre as obras em Alphaville, a interpretação do juiz sobre quem conhecia o risco ao assinar o contrato e a validade da cláusula de 20% — penalidades tão altas costumam ser revistas pelo Judiciário.
Enquanto isso, a mansão de Tamboré segue no nome da vendedora. E o relógio corre: se a dação cair, o empresário precisará de liquidez imediata para manter o imóvel. Para investidores e gestores de patrimônio, o caso reforça um alerta clássico: em operações de alto valor, due diligence sobre o bem dado em pagamento vale tanto quanto a vistoria do imóvel comprado.
