A Petrobras vai importar 125 mil barris de diesel por dia em novembro — volume 23% acima da média dos nove primeiros meses do ano — enquanto corre para recompor estoques drenados por paradas técnicas em refinarias estratégicas. O número equivale a 600 milhões de litros, queda modesta frente aos 650 milhões de outubro, mas sinaliza pressão contínua sobre a balança comercial de combustíveis.
O que provocou a corrida às compras externas
Duas paradas programadas atingiram a produção justamente quando o consumo interno acelera. A Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, saíram de operação para manutenção. A diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano, confirmou: a importação de novembro é “recomposição de estoques”.
No terceiro trimestre, a estatal já havia registrado o maior volume trimestral do ano: média de 110 mil bpd. A média acumulada em nove meses ficou em 103 mil bpd. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome.
Petrobras domina o mercado de importação
Levantamento da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) mostra que a estatal responde por 48% dos contratos de importação fechados para novembro. Em outubro, a fatia foi de 51% — contra 39% em setembro. Para Sergio Araujo, presidente da entidade, o abastecimento apresenta “baixíssimo risco de falta” no curto prazo.
- Novembro: 600 milhões de litros (125 mil bpd)
- Outubro: 650 milhões de litros
- Média 3º tri: 110 mil bpd
- Média 9 meses: 103 mil bpd
O abismo de preços que trava o setor privado
Enquanto a Petrobras segura preços internos com apoio de subsídios renovados mensalmente, o diesel nos polos da estatal está mais de R$ 3 por litro abaixo da cotação internacional. A Abicom calcula defasagem próxima de 100%. Resultado: importadores privados travam compras, e a estatal assume o ônus de garantir o abastecimento.
No fim de outubro, o governo prorrogou por mais um mês a subvenção de R$ 2,12 por litro. A incerteza sobre a continuidade do programa mês a mês paralisa decisões de investimento e importação no setor privado.
Refinarias no limite e alívio em dezembro
Para compensar, a Petrobras opera o parque de refino no talho. Fator de utilização médio de 99% no terceiro trimestre, recuando a 98% em outubro devido às paradas. A expectativa muda em dezembro: Laureano afirma que a estatal “não deve importar diesel” no último mês do ano, com a demanda arrefecendo após o plantio da safra de verão.
Mas o fôlego é curto. No primeiro semestre, a colheita e o avanço da safra voltam a pressionar o consumo. A estatal terá de calibrar produção, estoques e importações num cenário de petróleo volátil e subsídio incerto.
O que observar daqui para frente
Três variáveis ditam o próximo trimestre: a velocidade de retorno das refinarias paradas, a trajetória do barril no mercado internacional e a definição (ou não) de uma política de subsídio previsível. Enquanto o governo renova a subvenção mês a mês, a Petrobras segue como importadora de última instância — com impacto direto no caixa da companhia e na formação de preços nas bombas.
