Economia

Fim de era: parque icônico fecha após 49 anos e pode virar complexo industrial de 93 mil m²

Parque Wild Waves fechado após 49 anos, entrada vazia com montanha-russa ao fundo
O icônico Wild Waves Theme & Water Park encerrou atividades em novembro de 2024 após quase cinco décadas.

O Wild Waves Theme & Water Park, referência de lazer no noroeste dos EUA por quase cinco décadas, encerrou as atividades em 1º de novembro. O que antes recebia famílias em montanhas-russas e toboáguas pode, em breve, dar lugar a galpões logísticos e escritórios corporativos às margens da Interestadual 5.

A decisão pegou a região de Federal Way, no estado de Washington, de surpresa. Mas os bastidores revelam uma equação financeira que não fechava mais — e um plano de transformação urbana que já está em tramitação acelerada na prefeitura.

Por que um parque de 28 hectares não se sustenta mais

Inaugurado em 1977, o complexo operou 49 anos com mais de 30 atrações, incluindo a montanha-russa de madeira Timber Hawk e o toboágua Pacific Plunge. Segundo o ex-operador Jeff Stock, a escalada contínua de custos operacionais e de manutenção tornou o negócio inviável.

O parque ocupava aproximadamente 70 acres (28 hectares) e empregava centenas de sazonais a cada verão. O fechamento elimina uma das poucas opções de lazer aquático em larga escala num raio de dezenas de quilômetros.

O projeto que pode apagar o parque do mapa

Batizado de Podium I-5, o empreendimento industrial proposto prevê a demolição total das estruturas existentes. No lugar, surgiriam cerca de 92,9 mil metros quadrados (1 milhão de pés quadrados) de área construída voltada a armazenagem e escritórios.

O plano inclui ainda:

  • Readequação do sistema viário de acesso
  • Novos estacionamentos dimensionados para caminhões pesados
  • Obras de drenagem e paisagismo

A localização estratégica — colada à I-5, principal corredor logístico da costa oeste — explica o apetite imobiliário. Mas a aprovação final ainda depende de etapas burocráticas e ambientais.

Mudança de zoneamento: o primeiro passo já foi dado

O diretor de Desenvolvimento Comunitário de Federal Way, Keith Niven, autorizou preliminarmente a alteração do Acordo de Desenvolvimento Concomitante (CDA) de 1998. O documento original, com validade de 30 anos, proibia atividades de fabricação no terreno.

Com a mudança, usos industriais passam a ser permitidos. A prefeitura argumenta que a simples alteração contratual não gera impactos ambientais imediatos, dispensando, por ora, um Estudo de Impacto Ambiental completo (EIA).

Essa interpretação técnica, contudo, não isenta o futuro empreendimento de análises específicas quando houver pedido de licença de construção.

Tráfego de caminhões e zona úmida: os pontos de atenção

A planejadora Stacey Welsh alertou que a operação industrial pode aumentar significativamente a circulação de veículos pesados, emissões atmosféricas e ruído na vizinhança. A área também abriga uma zona úmida protegida por normas ambientais — embora não haja rios protegidos, habitats de espécies ameaçadas, planícies de inundação ou terras agrícolas prioritárias no terreno.

Antes de autorizar a obra, a prefeitura exigirá estudo específico de impacto no transporte. Esse será um dos gatilhos para a decisão final.

Prazo curto para contestação popular

Moradores de Federal Way têm até 17h de 13 de novembro de 2026 para apresentar manifestações contrárias à alteração do acordo. Caso não haja reversão, a decisão se torna definitiva automaticamente.

Recursos formais poderão ser protocolados até 1º de dezembro de 2026. Após esse período, o caminho jurídico para o Podium I-5 fica substancialmente desobstruído.

O que observar nos próximos meses

Três variáveis definirão o desfecho: a volume de contestações populares, a conclusão do estudo de impacto no transporte e a disposição do investidor em arcar com compensações ambientais e viárias. Se o projeto avançar, a região ganhará capacidade logística relevante — mas perderá seu último grande equipamento de lazer ao ar livre. Para empreendedores do setor imobiliário e logístico, o caso sinaliza como terrenos de uso único, bem localizados, estão sendo reconvertidos sob pressão de custos operacionais e demanda por last mile. Acompanhe as audiências públicas e a publicação do estudo de tráfego: serão os marcos decisivos.