Itapetininga completa 256 anos com um PIB de R$ 8 bilhões — crescimento de 123% em uma década. Mas o número que impressiona investidores está nas exportações: US$ 451,5 milhões só em 2024, alta de 126,7% sobre o ano anterior.
A cidade de 160 mil habitantes deixou de ser apenas polo educacional e agrícola para virar caso raro: interior que exporta moda sustentável para Paris e bebidas veganas para a Grande São Paulo simultaneamente.
O mapa da riqueza: serviços lideram, mas o campo puxa o dólar
Dados do IBGE mostram a estrutura produtiva do município:
- Serviços e comércio: 55,4% do PIB
- Indústria: 25%
- Agropecuária direta: 7% a 12%
O detalhe estratégico: a soja responde por 70% de tudo o que sai do porto. China leva 71%. Holanda, Chile e México completam os quatro maiores compradores.
Moda lenta que viaja rápido: o caso Nefertih
Laura Paiva fundou a Nefertih Clothing há seis anos com uma recusa: não aceitar o ciclo do fast fashion. “Roupa feita para durar pouco não me representava”, diz. A solução foi slow fashion — 80% da produção concentrada em Itapetininga, rastreável, ética.
O slogan “Made in Itapê” nasceu espontâneo. Hoje estampa camisetas, bonés e meias que já chegaram a Dublin, Paris, Manaus e São José dos Campos. “A maior venda segue sendo local, mas o mundo compra a ideia”, resume a empreendedora.
Soja virando leite vegano: a aposta da Iasi
Três meses de operação. 150 litros/mês de bebida proteica à base de soja local. Zero lactose, baixo açúcar, público-alvo: classes A e B, empórios, alimentação infantil e idosos com restrição.
Beatriz Ziglio, engenheira de alimentos, explica o diferencial: “Recebemos o grão, descascamos, moemos, cozinhamos e extraímos tudo aqui. Pasteurizamos mantendo microbiota favorável.”
Contrato exclusivo assinado. Próximo passo: Grande São Paulo.
O que os números de comércio exterior revelam
O ComEx Stat expõe uma assimetria relevante: exportações subiram 126,7%; importações caíram 45,8%. Corrente de comércio totalizou US$ 493 milhões.
Painéis de madeira, sucos, plásticos, carne de aves e ovos completam a pauta — mas a soja continua ditando o ritmo.
O que observar daqui para frente
Três vetores merecem atenção de quem acompanha economias regionais: a diversificação além da commodity (moda, alimentos de valor agregado), a capacidade de manter margem com dólar volátil e o efeito-âncora de marcas que transformam origem em diferencial competitivo. Itapetininga testou a tese: cidade média pode ser global sem deixar de ser local. O aniversário de 256 anos fecha um ciclo. O próximo começa com a pergunta: qual o próximo “Made in Itapê” a cruzar o oceano?
