Economia

O segredo do Creta no Move Brasil: por que ele deixou BYD e Honda para trás

Hyundai Creta lidera buscas no Move Brasil no Webmotors com 15,58%
Creta supera HR-V por 0,12pp e revela preferência de motoristas de app por SUVs e elétricos chineses.

O Hyundai Creta foi o modelo mais procurado no marketplace Webmotors entre os carros elegíveis ao Move Brasil nos primeiros três meses do programa, capturando 15,58% das buscas entre 19 de junho e 18 de setembro. A margem sobre o vice-líder Honda HR-V foi mínima — apenas 0,12 ponto percentual —, mas a presença massiva de elétricos chineses no topo expõe uma mudança silenciosa no perfil da frota de aplicativos. O que essa preferência revela sobre a estratégia dos motoristas?

O ranking que mistura combustão e eletrificação

O levantamento do Webmotors Autoinsights mostra um cenário híbrido. Após o duo coreano-japonês, o Geely EX2 (9,36%) e o BYD Dolphin Mini (9,35%) aparecem colados, seguidos de perto pelo BYD King (9,24%) e pelo Chevrolet Onix (9,08%).

Dos dez mais buscados, metade carrega a bandeira da BYD. A lista completa ainda traz Song Pro, WR-V, City Hatchback e Dolphin. Essa concentração sinaliza que a decisão de compra não passa apenas pelo preço da etiqueta, mas pela elegibilidade às categorias premium das plataformas.

  • Hyundai Creta: 15,58%
  • Honda HR-V: 15,46%
  • Geely EX2: 9,36%
  • BYD Dolphin Mini: 9,35%
  • BYD King: 9,24%
  • Chevrolet Onix: 9,08%
  • BYD Song Pro: 8,96%
  • Honda WR-V: 8,46%
  • Honda City Hatchback: 7,36%
  • BYD Dolphin: 7,16%

O fator “categoria conforto” move o ponteiro

Boa parte dos líderes — Creta, King, City Hatchback — qualifica o motorista para as categorias Comfort ou Black da Uber e 99. Na prática, isso significa uma tarifa por quilômetro significativamente superior à modalidade padrão. Para quem financia em 84 meses, o ganho extra por corrida encurta o prazo de retorno do investimento.

O mesmo raciocínio vale para os elétricos. Isenção de IPVA em vários estados, custo por quilômetro rodado inferior ao de combustão e a “etiqueta verde” exigida pelo programa Mover tornam modelos como Dolphin Mini e EX2 matematicamente atrativos, mesmo com ticket de entrada mais alto.

Programa avança, mas meta de 200 mil segue distante

Até outubro, o Move Brasil havia financiado 65,8 mil veículos — cerca de um terço da meta inicial de 200 mil unidades. Em volume de crédito, foram contratados R$ 6,9 bilhões, equivalentes a 23% dos R$ 30 bilhões disponibilizados no lançamento. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços não divulga ranking oficial de modelos mais financiados, o que torna o dado de busca da Webmotors o termômetro mais confiável do momento.

O gargalo que ninguém conta na ponta

Apesar das taxas atrativas — teto de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres — e do prazo alongado, motoristas relatam duas barreiras concretas. A primeira é a análise de crédito bancária, que rejeita perfis com histórico restrito ou renda informal difícil de comprovar. A segunda é a dúvida financeira: vale a pena assumir uma dívida de até R$ 200 mil em 84 meses ou seguir alugando o carro da frota de terceiros?

A resposta depende do custo do aluguel semanal na região e da quilometragem média. Em grandes capitais, onde a diária de locação supera R$ 300, a parcela do financiamento costuma ficar competitiva. No interior, a conta nem sempre fecha.

O que observar nos próximos trimestres

A disputa entre Creta e HR-V deve seguir acirrada, mas o avanço da BYD no top 10 sugere que a fatia de eletrificados tende a crescer à medida que a rede de recarga se expande e os bancos ajustam scoring para veículos verdes. Para investidores e gestores de frota, o sinal é claro: a renovação da frota de aplicativos será híbrida por necessidade econômica, não apenas por imposição regulatória. Acompanhar a taxa de conversão de busca em financiamento aprovado será o termômetro real da saúde do programa em 2025.