Educação

FGV-SP abre vaga global para diretor: o segredo por trás da escolha que pode mudar o mercado

Prédio moderno da FGV-EAESP em São Paulo com fachada de vidro e logo institucional
Sede da FGV-EAESP em São Paulo, onde ocorre a busca global por novo diretor.

A Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV-EAESP) lançou uma caça talentos mundial para ocupar a cadeira de diretor, rompendo com a tradição fechada das grandes instituições brasileiras. O movimento sinaliza uma mudança estratégica profunda na forma como a elite do ensino de negócios se prepara para a próxima década. Quem assumir o posto herdará não apenas uma marca, mas a responsabilidade de manter a sustentabilidade financeira e a relevância acadêmica da unidade.

Por que essa busca é diferente de tudo que você viu

Diferente do modelo padrão no Brasil, onde a sucessão costuma ser interna e articulada nos bastidores, a FGV-EAESP publicou edital aberto a professores da casa, executivos de mercado e acadêmicos de fora do país. A prática espelha o padrão das top business schools globais, como Harvard e Wharton, onde a diversidade de origem do líder é vista como ativo competitivo.

O comitê de busca, presidido pela ex-diretora Maria Tereza Leme Fleury, já recebeu cerca de 20 inscrições nas primeiras semanas. Candidatos dos Estados Unidos e da Europa estão no páreo, mas há um filtro inegociável: fluência em português. A meta é fechar a escolha até janeiro de 2027, quando termina o mandato do atual diretor, Luiz Artur Ledur Brito.

O perfil que ninguém consegue fingir ter

O edital desenha um “super-executivo” acadêmico. Não basta ter doutorado e produção científica relevante; a exigência central é experiência comprovada de gestão. A escola quer alguém que equilibre excelência em pesquisa com a capacidade de entregar resultados financeiros e operacionais para a Fundação.

  • Titulação: Doutorado obrigatório.
  • Gestão: Acadêmica, institucional ou projetos de alta complexidade.
  • Reconhecimento: Atuação destacada no cenário nacional e internacional.
  • Idiomas: Inglês fluente e português fluente (excluitivo).

O peso dos nomes por trás da decisão

A composição do comitê revela a seriedade estratégica do processo. Ao lado dos professores Maria José Tonelli e Marco Antônio Teixeira, sentam-se dois pesos-pesados do mundo real: Candido Bracher, ex-CEO do Itaú Unibanco, e Priscila Cruz, presidente do Todos pela Educação. A presença de um banqueiro de varejo e uma líder do terceiro setor indica que a escola busca alguém que dialogue com o setor produtivo e com políticas públicas, não apenas com pares acadêmicos.

“Inovamos agora em uma questão, e estamos divulgando também na comunidade internacional”, afirmou a professora Maria Tereza. A frase resume a aposta: a próxima liderança precisa ter visão de mundo, não apenas de campus.

O que está em jogo para o ecossistema de negócios

A FGV-EAESP não é apenas a melhor escola privada de administração do Brasil (RUF 2023) e a 8ª no geral. Com 4.000 alunos, cursos de graduação, mestrado, doutorado e MBAs, ela funciona como um dos principais “feeders” de talentos para o mercado financeiro, consultorias e alta gestão corporativa.

A troca de comando ocorre num momento de pressão tripla: necessidade de internacionalização real (não apenas convênios de papel), adaptação curricular para inteligência artificial e dados, e manutenção das acreditações internacionais (AACSB, EQUIS, AMBA) que garantem o valor do diploma lá fora.

O que observar daqui para frente

O prazo final para inscrições é 13 de novembro. Após a triagem curricular, o comitê conduzirá entrevistas profundas. Para o mercado, o nome do escolhido será um termômetro: se vier de uma escola top 20 global, a sinalização é de aceleração na internacionalização. Se for um executivo de mercado com passagem pela academia, a aposta é na rentabilidade e conexão corporativa. De qualquer forma, a decisão de janeiro de 2027 ditará o ritmo da formação de líderes brasileiros nos próximos anos.