O apresentador Ratinho desembarcou em Divinópolis nesta quarta-feira (4) para uma visita privada ao governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos). O encontro durou cerca de 40 minutos e expôs uma conexão que vai além da cortesia entre duas figuras públicas de estilos populares.
Por que o comando de um dos maiores estados do país abre as portas da própria residência para um ícone da TV aberta semanas após a eleição? A resposta passa por estratégia política, gestão de imagem e um detalhe familiar que une os dois.
O elo paranaense que aproxima os gabinetes
O fio condutor da conversa não foi apenas a vitória nas urnas. Ratinho Júnior, filho do apresentador, governa o Paraná desde 2019 e foi reeleito com votação histórica em 2022. A troca de experiências sobre gestão estadual dominou o diálogo, segundo relatos do próprio anfitrião.
Cleitinho, que assume o comando de Minas em janeiro, tem no colega paranaense um espelho de gestão voltada a resultados e comunicação direta com a base. Não por acaso, o governador eleito classificou o visitante como “meu ídolo” e “honra receber na minha casa”.
Da feira ao Palácio: a trajetória atípica do novo chefe do executivo mineiro
Entender a receptividade exige conhecer o perfil de quem recebe. Aos 44 anos, Cleitinho Azevedo construiu a carreira longe dos currículos tradicionais da política mineira:
- Origem: Verdureiro no sacolão da família em Divinópolis.
- Visibilidade inicial: Músico (“Cleitinho Elétrico”) e youtuber com o grupo “Brotos do Samba”.
- Início na política: Vereador em 2016 (3.023 votos) pelo então PPS.
- Salto estadual: Deputado estadual em 2018 com 115.492 votos.
- Consagração nacional: Senador mais votado da história de MG em 2022 (4,26 milhões de votos).
Essa ascensão meteórica — do comércio local ao Senado em seis anos — explica a identificação com Ratinho, comunicador que também migrou do entretenimento popular para o centro do debate público.
Os bastidores de uma candidatura que quase não aconteceu
A visita ganha peso extra quando se lembra o caos da definição da chapa ao governo. Entre março e agosto, o Republicanos viveu um vaivém público:
- Março: Partido anuncia pré-candidatura.
- 25 de julho: Convenção estadual sem a presença do pré-candidato (luto pelo irmão, Matheus, vítima de leucemia).
- 29 de julho: Partido anuncia desistência; Cleitinho diz que mantém candidatura.
- 3 de agosto: Vídeo chorando ao lado do presidente nacional Marcos Pereira anunciando saída.
- 7 de agosto: Recuo final do partido e confirmação da chapa.
Ratinho testemunhou, de camarote, a turbulência. O elogio público — “Minas escolheu um cara honesto para cuidar de um estado tão grande” — funciona como selo de validação externa após meses de ruído interno.
O que o empresariado mineiro deve monitorar daqui pra frente
O encontro não foi apenas social. A presença de um comunicador de massa com trânsito no agronegócio e na indústria paranaense sinaliza possíveis pontes para captação de investimentos e modelos de gestão baseados em desburocratização — marca da gestão Ratinho Júnior no Sul.
Para quem opera em Minas, três variáveis merecem radar nas próximas semanas: a montagem do secretariado (se haverá nomes técnicos ou perfis de comunicação), a relação com a Assembleia Legislativa (onde o Republicanos não tem maioria) e os primeiros decretos de desoneração ou simplificação tributária. O tom da conversa na sala de Cleitinho sugere que a comunicação direta com o eleitor — via redes e TV — seguirá como método de governança.
