Economia

BRs-251 e 116: Atendimento 24h começa agora; veja o que muda no seu bolso e na logística

Viatura de socorro da Ecovias das Gerais na BR-116 em Minas Gerais
Nova frota 24h da Ecovias das Gerais começa a operar nas BRs-116 e 251 em Minas Gerais.

A partir desta terça-feira (3), motoristas que cruzam as BRs-116 e 251 em Minas Gerais passam a contar com estrutura de socorro médico e mecânico ininterrupta. A concessão, sob responsabilidade da Ecovias das Gerais, cobre mais de 730 quilômetros entre Montes Claros, Divisa Alegre e Governador Valadares. Mas a gratuidade do serviço esconde um plano de investimentos bilionário que deve transformar a logística regional nos próximos anos.

A estrutura que entrou em operação hoje

A concessionária mobilizou uma frota dimensionada para atender desde panes simples até acidentes graves com veículos de carga. Não há custo direto ao usuário no momento da ocorrência, independentemente do horário ou quilômetro.

  • 14 ambulâncias para resgate e atendimento pré-hospitalar;
  • 11 guinchos, sendo 6 dedicados exclusivamente a veículos pesados;
  • 17 veículos de inspeção de tráfego e 3 viaturas articuladas para remoção rápida de leves;
  • 4 caminhões-pipa e 4 carretinhas para apreensão de animais na pista.

Como acionar o socorro sem perder tempo

Dois canais gratuitos funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. O número principal atende ligações e mensagens de texto via WhatsApp, agilizando a localização exata do veículo.

  • 0800 116 0251: Socorro geral (voz e WhatsApp);
  • 0800 251 0116: Atendimento especializado para pessoas com deficiência auditiva.

Uma Ouvidoria própria também começou a operar pelo mesmo 0800 (opção 4) ou e-mail, centralizando reclamações e sugestões sobre a concessão.

O choque de gestão dos primeiros 100 dias

Antes mesmo da operação plena, a concessionária executou um plano emergencial focado em segurança viária. Os números divulgados em outubro mostram a escala da intervenção inicial no pavimento e na sinalização.

  • 43.953 toneladas de massa asfáltica aplicadas na recuperação de pista;
  • 2.224 placas de sinalização substituídas ou recuperadas;
  • 160,5 km de sinalização horizontal implantados;
  • 774 marcos quilométricos instalados para referenciação precisa;
  • 5,87 milhões de m² de roçada nas margens e limpeza de sistemas de drenagem.

O trabalho incluiu ainda a revitalização de pontes, viadutos e a instalação de 8,3 km de defensas metálicas — barreiras que reduzem a letalidade em saídas de pista.

O mapa dos R$ 13,1 bilhões previstos até 2054

O contrato de 30 anos projeta R$ 7,3 bilhões em obras de infraestrutura e R$ 5,8 bilhões em operação e manutenção. O corredor abrange 26 municípios e é estratégico para o escoamento da produção do Norte e Nordeste mineiro.

As intervenções de maior impacto logístico planejadas para as próximas décadas incluem:

  • 186 km de duplicações de pista simples;
  • 159 km de faixas adicionais para ultrapassagem e fluxo;
  • Construção do Contorno de Teófilo Otoni, tirando o tráfego pesado do perímetro urbano;
  • 22 passarelas de pedestres e 101 novas interseções em nível ou desniveladas;
  • 11 km de vias marginais e pontos de parada e descanso para caminhoneiros (Lei do Descanso);
  • Passagens de fauna para reduzir atropelamentos e acidentes.

O que o empresário deve monitorar daqui para frente

A implementação do pedágio eletrônico (free flow) é o próximo marco regulatório que impactará diretamente o custo logístico da região. A definição das praças de cobrança e das tarifas-base definirá a viabilidade de rotas alternativas e o preço final do frete.

Outro ponto crítico é o cronograma físico-financeiro das duplicações. Atrasos nas licenças ambientais ou nas desapropriações tendem a postergar os trechos de maior retorno para a segurança e fluidez. Acompanhar os relatórios trimestrais da ANTT e os balanços da concessionária permite antecipar gargalos e negociar contratos de transporte com dados reais, não promessas.