Internacional

O segredo que impede a deportação de Flávio Bolsonaro nos EUA…

Flávio Bolsonaro em destaque com bandeira dos EUA e Capitólio ao fundo, simbolizando debate sobre deportação
Entenda por que a vitória democrata nas midterms não garante deportação do senador Flávio Bolsonaro.

A vitória democrata nas midterms reacendeu o debate sobre a permanência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em solo americano, mas a legislação dos EUA coloca um freio duro nas expectativas de deportação imediata. O destino do parlamentar está nas mãos do Executivo, não do Legislativo.

Especialistas em direito migratório e relações internacionais ouvidos pela reportagem são unânimes: o Congresso não tem poder para expulsar ninguém. A decisão cabe ao Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, e ao Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos subordinados a Donald Trump.

Por que o Congresso não pode deportar ninguém

A confusão nas redes sociais — alimentada pela hashtag #DeportTheBolsonaros — ignora a separação de poderes nos EUA. Conforme explica Roberto Uebel, coordenador do NENAM/ESPM, a jurisdição do Congresso é legislativa e fiscalizatória, não executiva.

Vitelio Brustolin, professor da UFF, detalha a hierarquia burocrática:

  • Revogação de visto: Impede novas entradas, mas não obriga a saída imediata de quem já está no país.
  • Deportação: Processo judicial administrativo que determina a retirada forçada.
  • Expulsão: Medida compulsória baseada em regras migratórias específicas.

Ou seja, mesmo com maioria nas duas Casas, democratas não assinam ordens de saída. O máximo que alcançam é pressão política.

A arma real: investigação e desgaste político

Se não podem deportar, podem investigar. Uma maioria na Câmara basta para abrir comissões e convocar autoridades — como o próprio Marco Rubio — a explicar se houve favorecimento na concessão de vistos ou na entrada da família Bolsonaro.

Tomaz Paoliello, da PUC-SP, ressalta que o Congresso tem histórico de forçar o Executivo a recuar via oversight (supervisão). Contudo, alerta: o acesso a documentos sensíveis esbarra no privilégio executivo, o que pode travar apurações por meses em disputas judiciais.

Até agora, 25 deputados democratas assinaram carta questionando o Departamento de Estado sobre a suposta ajuda à fuga do senador, citando a restrição judicial brasileira à sua saída. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara endossou o pedido.

Por que o caso deve ficar em segundo plano

Apesar do barulho, a agenda democrata para 2025-2026 tem outros alvos. Paoliello projeta foco total em:

  • Economia doméstica e custo de vida;
  • Bloqueio de pautas orçamentárias de Trump;
  • Construção de narrativa para a disputa presidencial de 2028.

Uebel vai além: aposta que a prioridade número um será um processo de impeachment — seja para destituir, seja para sangrar a imagem republicana até a próxima eleição. Trump já sobreviveu a dois (2019 e 2021), ambos aprovados na Câmara e rejeitados no Senado.

Brasileiros eleitos nos EUA que fazem oposição a Trump também dividem atenções, mas o tema “Flávio Bolsonaro” não mobiliza o eleitorado americano médio, focado em inflação e emprego.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definem o desfecho nos próximos meses:

  • Posicionamento de Marco Rubio: Se o secretário de Estado ignorar as convocações, a tensão institucional escala.
  • Decisão judicial brasileira: Se o STF decretar prisão preventiva, o pedido de extradição formal muda o jogo diplomático.
  • Calendário eleitoral EUA: Quanto mais perto de 2026, menos apetite haverá para desgastes internacionais de baixa repercussão interna.

Resumo prático: sem ordem judicial brasileira de prisão ou mudança radical na política externa de Trump, Flávio Bolsonaro tende a permanecer nos EUA sob proteção do atual governo americano, independentemente da cor partidária do Congresso.