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Montadoras dos EUA pressionam Congresso por banimento total de carros chineses ainda em 2026

Carros chineses bloqueados por barreira com bandeiras EUA e China, simbolizando proibição comercial
Montadoras dos EUA pressionam Congresso por banimento total de veículos chineses em 2026.

As maiores fabricantes de automóveis do mundo acabam de fazer um apelo direto ao Congresso americano: querem uma lei que proíba permanentemente a entrada de veículos chineses nos Estados Unidos. A movimentação acontece na semana em que os parlamentares retomam os trabalhos após as eleições de meio de mandato. O que está em jogo vai muito além de tarifas comerciais.

A Alliance for Automotive Innovation — entidade que reúne GM, Ford, Toyota, Volkswagen, Hyundai, Stellantis e outras 20 marcas — argumenta que a enxurrada de importações traz riscos de vigilância e compromete bilhões investidos em solo americano. O presidente da associação, John Bozzella, foi taxativo: o mercado dos EUA não pode repetir o que aconteceu na Europa.

O que já existe e o que falta

Desde o início de 2025, regulamentos do governo Biden já impedem, na prática, que montadoras chinesas vendam ou produzam carros de passeio no país. A justificativa oficial é o risco de envio de dados sensíveis de motoristas para a China. Sobre veículos elétricos chineses, tarifas superiores a 100% funcionam como barreira adicional.

O que as fabricantes querem agora é transformar essas restrições em lei permanente. O projeto avançou em julho, aprovado por uma comissão do Senado com apoio dos dois partidos. Na Câmara, mais de 100 deputados assinam como coautores. Mas a tramitação foi adiada para novembro.

O fator Trump preocupa o setor

Em setembro, o ex-presidente e candidato Donald Trump declarou à Fox News que aceitaria empresas chinesas produzindo em território americano. A fala gerou apreensão entre executivos e assessores legislativos. Se os democratas conquistarem o controle do Congresso, o tempo para votar o banimento antes do recesso de dezembro pode simplesmente acabar.

Montadoras e assessores ainda apostam na aprovação neste ano. A janela, porém, é estreita.

O espelho europeu: 1,1 milhão de veículos em oito meses

Para justificar a urgência, Bozzella citou dados da União Europeia. Nos oito primeiros meses de 2026, o bloco importou mais de 1,1 milhão de veículos fabricados na China — volume superior a todo o ano de 2025. O avanço foi rápido e, segundo a entidade, ocorreu sem reciprocidade.

  • 2025 (ano inteiro): importações da China abaixo de 1,1 milhão
  • Jan–Ago 2026: 1,1 milhão de unidades
  • Principais marcas: BYD, MG (SAIC), Geely (Volvo, Polestar), Leapmotor

O Ministério das Relações Exteriores da China classificou as propostas americanas como “repressão injustificada” e pediu respeito às leis de mercado e concorrência justa.

Segurança nacional ou protecionismo industrial?

O debate mistura dois eixos. De um lado, a vulnerabilidade de dados: carros conectados coletam localização, hábitos de direção, áudio e vídeo do interior do veículo. De outro, a disputa por cadeias de suprimentos de baterias, semicondutores e software embarcado — setores onde a China tem avançado agressivamente.

As montadoras estabelecidas nos EUA dizem ter investido “de longo alcance” em fábricas, centros de P&D e comunidades locais. O receio é que a entrada de competidores subsidiados pelo Estado chinês desmonte esse ecossistema antes que a transição elétrica se consolide.

O que observar nas próximas semanas

A votação no Senado deve ser o termômetro. Se o projeto for acelerado ainda em novembro, o banimento permanente vira lei antes da posse do novo Congresso em janeiro. Caso contrário, a decisão passa para 2027 — com composição parlamentar indefinida e a indústria chinesa mais um ano livre para estruturar operações no México, porta de entrada natural para o mercado americano sob o USMCA.

Para quem acompanha o setor, o sinal está dado: a disputa pelo automóvel do futuro não será decidida apenas nos laboratórios, mas no plenário do Capitólio.