Economia

Ibovespa desaba ao menor nível do ano: o que o Copom e o fiscal escondem do seu bolso

Gráfico do Ibovespa em queda livre com indicadores de mercado financeiro brasileiro
Ibovespa atinge menor nível do ano com queda de 1,4% e dólar a R$ 5,48

O Ibovespa fechou esta terça-feira (3) em queda de 1,4%, aos 165.569 pontos — o piso mais baixo desde janeiro. O dólar disparou 0,74%, a R$ 5,4863. Enquanto o investidor digeriu o retorno do feriado, duas forças silenciosas ditam o ritmo: a reunião do Copom que termina amanhã e a névoa sobre a equipe econômica do novo mandato.

O relógio da B3 mudou — e o seu também

A partir de hoje, o pregão à vista roda das 10h às 17h55, com call de fechamento até 18h e cancelamento de ofertas até 18h45. A extensão de 55 minutos alinha o Brasil ao fim do horário de verão nos EUA. Na prática, mais tempo para ajustar posições diante de notícias que chegam de Nova York ou Brasília.

Copom no radar: a Selic que o mercado já precificou (e a que não)

O Comitê começou a se reunir hoje e anuncia a decisão amanhã. O Boletim Focus desta manhã mostrou que a mediana para a taxa básica no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%. Parece pouco, mas nos contratos futuros o recado foi mais duro:

  • DI jan/28: 14,57% (ontem 14,48%)
  • DI jan/35: 15,40% (ontem 15,33%)

Juros longos mais altos encarecem o custo de capital e comprimem valuation de ações — especialmente das companhias mais alavancadas ou dependentes de crescimento futuro.

O aviso que veio do BB Investimentos

“Cenário para novembro ainda recomenda cautela”, resumem Victor Penna e Wesley Bernabé. Eles elencam três pilares: juros longos elevados, maior custo de capital e ambiente externo menos favorável. O desconto do Ibovespa frente a pares emergentes existe, mas valuation barato sozinho não sustenta alta sem revisão de lucros corporativos.

Fiscal: o ministro fala, o mercado ouve (e duvida)

Dario Durigan, secretário-executivo da Fazenda, disse em coletiva que “nada justifica posição de medo” e defende ajuste gradual, respeitando compromissos de campanha e progressividade. A frase-chave: “não há agenda com outros economistas além dele”. Ainda assim, a incerteza sobre a composição definitiva da equipe mantém o prêmio de risco pressionado.

Balanços que podem virar o jogo setorial

Após o fechamento, cinco nomes pesados reportam:

  • Itaú Unibanco
  • BB Seguridade
  • Isa Energia
  • Marcopolo
  • RD Saúde

Resultados acima do consenso podem oferecer alívio pontual; decepções ampliam a venda setorial.

Lá fora: EUA e Apple mexem com o humor global

As eleições de meio de mandato nos EUA definem o controle do Congresso — impacto direto em regulação de big techs, defesa, saúde, bancos e criptoativos. Paralelamente, a Apple alertou que custos de memória vão comprimir margens brutais, reacendendo temores de cadeia de suprimentos e CAPEX de IA.

O que observar daqui para frente

Amanhã, a decisão do Copom e o comunicado acompanhante ditarão o tom da curva de juros curta. Na sequência, olhe para: (1) a ata do Fed na quinta-feira, (2) a divulgação do IPCA-15 na sexta, e (3) qualquer sinalização concreta sobre nomes para Fazenda e Planejamento. Quem tem caixa e prazo pode usar a volatilidade para montar posições em empresas com geração de caixa resiliente e baixa alavancagem. Quem precisa de liquidez no curto prazo, o cenário pede cautela redobrada.