A advogada Priscilla Carbone deixou o Madrona Advogados após mais de uma década como sócia para assumir a mesma posição no Abe Advogados. A movimentação sinaliza uma reorganização silenciosa no mercado de alto nível.
Com mais de 20 anos de estrada, ela carrega um portfólio que vai muito além de processos judiciais. A pergunta que fica: por que uma profissional nesse patamar troca um dos maiores escritórios do país por uma estrutura mais enxuta?
A jogada que ninguém viu venir
Carbone atuou 11 anos no Madrona, onde construiu reputação em litígios complexos, auditorias de conformidade e negociações sindicais de alto risco. No Abe, ela se junta a Fernanda Garcez, atual líder da área trabalhista, para formar uma dupla com perfis complementares.
O comunicado oficial fala em “advocacia preventiva e conectada à estratégia de negócios”. Na prática, isso significa assessorar clientes antes do problema virar processo — e cobrar por isso.
O que ela traz na bagagem
- Due diligence trabalhista, previdenciária e ESG em fusões e aquisições
- Equalização de planos de cargos, salários e benefícios pós-deal
- Assento em conselhos de administração de companhias abertas e fechadas
- Atuação em comitês executivos na gestão de passivos e contingências
Essa combinação — contencioso pesado + visão de board + M&A — é rara. A maioria dos especialistas domina um ou outro polo.
O efeito nos clientes corporativos
Empresas que contratam o Abe passam a ter acesso direto a quem já sentou do outro lado da mesa em conselhos de administração. Carbone não apenas “entende” o negócio do cliente; ela já teve dever fiduciário sobre ele.
Mas o impacto mais relevante aparece em outro setor: o de escritórios concorrentes. A saída de uma sócia com esse perfil expõe a fragilidade de modelos baseados apenas em volume de horas faturadas.
Formação e credenciais que pesam na balança
Pós-graduada pela FGV e especialista em processo civil pela FMU, Carbone integra a Comissão de Direito do Trabalho da OAB e a APRES (Associação Paulista de Relações e Estudos Sindicais). Titulações importam menos que o histórico de casos — mas em negociações sindicais de grande porte, o reconhecimento institucional abre portas que currículos não abrem.
O que observar daqui pra frente
A parceria com Garcez será testada nos primeiros grandes mandatos conjuntos. Se a sinergia prometida se confirmar, o Abe pode se tornar referência em trabalhista estratégico — nicho hoje dominado por bancas maiores. Para empresários e investidores, vale monitorar: a entrada de Carbone pode antecipar uma onda de lateral hiring de sócias com perfil de conselheira, não apenas de litigante.
