Economia

Coinbase lucra US$ 719 mi: você não vai acreditar de onde veio 99% disso…

Logotipo da Coinbase com gráfico de lucro trimestral mostrando US$ 719 milhões, destaque para 99% em valorização de criptoativos
Coinbase lucra US$ 719 mi no 3T26, mas 99% veio de valorização contábil de criptomoedas em caixa

Coinbase fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 719 milhões, revertendo prejuízos recentes. O detalhe decisivo: US$ 715 milhões desse total nasceram apenas da valorização contábil das criptomoedas que a exchange mantém em caixa. Sem esse efeito “papel”, o lucro real da operação encolhe para US$ 78 milhões.

A ilusão contábil por trás do manchete

O balanço divulgado em 29 de outubro mostra a volta ao azul após três trimestres no vermelho. Mas a composição do resultado expõe a fragilidade: os ganhos com ativos cripto representam 99,4% do lucro reportado. São ganhos não realizados — a empresa não vendeu as moedas, apenas atualizou o valor no balanço.

Se isolarmos esse efeito e outros itens financeiros, o lucro líquido ajustado cai para US$ 77,7 milhões. No acumulado de 2026, a Coinbase ainda acumula prejuízo de US$ 34,9 milhões. O segundo trimestre, para referência, fechou com perda de US$ 359,5 milhões.

O inverno das transações continua

Enquanto o balanço brilha graças ao portfólio, o motor principal — taxas de trading — perde força. A receita de transações despencou 44% em um ano, para US$ 590 milhões.

  • Varejo: US$ 450 milhões em comissões (-59% no volume à vista).
  • Institucional: US$ 92 milhões.

A receita total ficou em US$ 1,22 bilhão, estável na comparação trimestral, mas 35% menor que no mesmo período de 2025. O lado positivo: a fatia de mercado global da Coinbase saltou de 5,6% para 10,7%, ganhando espaço enquanto o bolo encolhe.

Assinaturas e stablecoins sustentam a estrutura

A diversificação evitou um cenário pior. A linha “Assinaturas e Serviços” gerou US$ 570 milhões (+3% no trimestre), respondendo por 49% da receita líquida. Os destaques:

  • Receita com stablecoins (majoritariamente USDC): US$ 307 milhões.
  • Saldos médios de USDC em produtos Coinbase: recorde de US$ 22 bilhões.
  • Custos operacionais caíram 17% ano a ano, para US$ 1,15 bilhão.

Novas apostas: mercados de previsão e Coinbase One

A exchange acelera fora do trading tradicional. A parceria com a Kalshi para mercados preditivos (esportes, política, economia) já roda a uma taxa annualizada de US$ 200 milhões em receita no terceiro trimestre. O número de traders diários nesse segmento saltou 60% em três meses.

O programa de assinatura Coinbase One adicionou 24% mais pagantes em um ano, novo recorde. Caixa e equivalentes somam US$ 8,6 bilhões, munição para aquisições e desenvolvimento de produtos derivados, empréstimos e pagamentos em stablecoin — volume que já supera US$ 400 milhões por hora.

Por que o mercado não aplaudiu

As ações caíram 3,3% no after-hours após o balanço. Investidores sinalizam ceticismo: a lucratividade depende do ciclo de alta das criptos, não da execução operacional. O teste real virá nos próximos trimestres — a receita recorrente (assinaturas, stablecoins, preditivos) conseguirá cobrir a estrutura se o trading lateralizar?

O que observar daqui pra frente: a trajetória da receita de stablecoins, a conversão de usuários gratuitos para Coinbase One e a capacidade dos mercados de previsão de gerar caixa real, não apenas “run rate”. Se a dependência de ganhos de papel persistir, a volatilidade do resultado continuará ditando o preço da ação.