Outubro afundou as vendas em Raposo, distrito de Itaperuna, no Noroeste Fluminense. Chuvas incessantes esvaziaram a feirinha tradicional e tiraram turistas das ruas. Agora, dois feriados de novembro e a corrida de fim de ano viraram a última esperança de recuperação para hotéis, pousadas e comércio local.
O cenário muda radicalmente nas próximas semanas. A ocupação hoteleira já beira 100% para as datas de 15 e 20 de novembro. O feriadão de Finados serviu de termômetro: 90% dos leitos preenchidos e mais de 20 ônibus de turismo circulando pelo distrito.
O peso de um mês sem sol
Maria de Lourdes Gênesis Oliveira, comerciante da feira há anos, resume o prejuízo: “Quase não vimos sol em outubro. Para quem trabalha na feira, isso atrapalha porque o pessoal sai pouco dos hotéis e acaba circulando menos”. A queixa ecoa entre os 150 expositores que dependem do fluxo de visitantes para vender roupas, artesanato, doces caseiros e queijos da região.
A feira funciona como vitrine e motor da economia local. Quando o turista não caminha pelas ruas, a cadeia inteira sente: do produtor de doces ao artesão, do dono de pousada ao motorista de charrete.
Números que explicam a virada
A infraestrutura do distrito comporta demanda expressiva:
- 9 hotéis e 6 pousadas
- Cerca de 2.000 leitos disponíveis
- Atrações: fonte de águas medicinais, polo de confecções, fábricas de queijo, passeios de charrete e cavalo, fazendinha e fontanário
Ronaldo José Esteves Torres, gerente de reservas de um dos hotéis, confirma a corrida: “Os próximos feriados já estão com quase 100% de lotação, tanto o do dia 15, apesar de cair em um domingo, quanto o do dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra”.
O efeito cascata no varejo
Novembro traz dois vetores de venda que outubro não teve. Primeiro, compradores de fora que adquirem mercadoria para revenda em suas cidades de origem. Segundo, a procura antecipada por presentes de Natal. “Raposo é um lugar turístico. O pessoal que compra para revender vem bastante. Novembro costuma movimentar bastante essa área”, observa Maria de Lourdes.
O feriado de 15 de novembro, embora caia em domingo, estica o fim de semana para quem emenda a segunda-feira. O dia 20, numa quarta-feira, cria mais uma janela de quatro dias para quem pode folgar na terça.
Projeção até o Natal
A expectativa do setor hoteleiro não para em novembro. “Os hotéis daqui praticamente já estão todos lotados, tanto em novembro quanto no início de dezembro. Até o fim de semana próximo ao Natal, entre os dias 18 e 20 de dezembro, a lotação também já está quase esgotada”, afirma Torres.
Isso significa fluxo contínuo de potencial consumidor por quase 60 dias. Para o comerciante que estocou mercadoria apostando no fim de ano, a janela de venda aberta agora pode definir o balanço anual.
O que observar daqui pra frente
Dois indicadores dirão se a recuperação se consolida: taxa de ocupação real nos feriados de novembro (versus as reservas atuais) e ticket médio gasto na feira e no comércio de rua. Se o turista vier, se hospedar, mas não circular nas ruas — padrão visto em destinos de resort all-inclusive —, o alívio fica restrito à hotelaria. O comércio de rua precisa do pedestre.
Outro ponto: a capacidade de retenção. Muitos visitantes vêm em excursões de um dia (os ônibus de Finados sugerem isso). Converter day-tripper em pernoite de fim de semana é o desafio estrutural para 2025.
