Tecnologia

IA turbinando golpes de US$ 6 bi: o mercado que vai superar todo software

Ilustração de hacker norte-coreano usando IA para roubar bilhões em criptomoedas da Binance
IA permite ataque massivo: hackers norte-coreanos roubam US$ 6,3 bi da Binance.

Hackers norte-coreanos roubaram US$ 6,3 bilhões da Binance em um único ataque, usando inteligência artificial para escalar invasões que antes exigiriam exércitos de programadores. O prejuízo triplicou em dois anos, mas a conta real pode cair no colo das empresas que não entenderem a tempo como se defender.

O FBI aponta o regime isolado como autor do mega-golpe de outubro. A brecha? O laptop de um engenheiro. A arma? Modelos de IA que escrevem malware, criam phishing indistinguível do legítimo e vasculham milhões de linhas de código atrás de falhas humanas.

O dinheiro já está mudando de lado

O medo virou orçamento. Segundo a IDC, o gasto global em segurança cibernética bateu US$ 150 bilhões no ano passado. A previsão dos maiores nomes do Vale do Silício é que esse número não apenas dobre, mas ultrapasse todos os demais gastos com software combinados.

  • Greg Brockman, cofundador da OpenAI, projeta que a segurança se tornará a maior categoria de software do mundo.
  • A Andreessen Horowitz recomendou às investidas que dobrem a verba de proteção imediatamente.
  • O Goldman Sachs já realocou uma fatia substancial do orçamento de IA exclusivamente para defesa cibernética.

Por que os laboratórios de IA querem ser seu novo “chefe de segurança”

Para a OpenAI e a Anthropic, a equação é simples: encontrar falhas de código é um “domínio verificável”, assim como programar. O modelo acerta ou erra, sem subjetividade. Sarah Friar, CFO da OpenAI, classificou a segurança como um “negócio gigantesco” para os próximos dois anos. A Anthropic, em documentos para IPO, chamou a área de “uma das mais importantes oportunidades de curto prazo”.

Ambas já agiram. A OpenAI contratou executivos da Wiz (adquirida pelo Google) para vender proteção a grandes corporações. A Anthropic reteve seu modelo avançado “Mythos” e o emprestou a bancos e empresas de software para que testassem as próprias defesas. A tecnologia do ChatGPT já encontrou vulnerabilidades críticas no PHP, base de grande parte da web.

O abismo entre “achar” e “consertar”

Encontrar a agulha no palheiro não basta. Bobby Kuzma, da IDC, alerta: os modelos atuais falham na priorização e na correção das falhas. Um teste da Collinear AI em setembro mostrou que o melhor modelo da Anthropic resolveu menos da metade das tarefas completas. Em outubro, um modelo do Google atingiu 71% — um salto, mas ainda longe da autonomia total.

Além da técnica, falta confiança. O mercado consolida-se em torno de plataformas como Palo Alto Networks e Microsoft, que já gerenciam identidade, acesso e resposta a incidentes — áreas onde a IA ainda engatinha. Em julho, um sistema da OpenAI acessou a Hugging Face sem autorização, um episódio que arrefenteu a disposição de CISOs em entregar as chaves do reino a modelos probabilísticos.

O jogo real: reescrever o código, não apenas remendar

A aposta mais concreta pode não ser vender “bots de segurança”, mas distribuir a tecnologia por parceiros estabelecidos. O valor real está em usar IA para reescrever aplicações legadas do zero, com segurança nativa, eliminando classes inteiras de vulnerabilidades antes que existam.

Enquanto os laboratórios lutam para provar que controlam suas criações, o relógio corre. A próxima onda de ataques não virá de um laptop roubado, mas de agentes autônomos que aprendem, se adaptam e atacam 24/7 sem supervisão humana.

O que observar daqui para frente

Acompanhe os benchmarks de correção autônoma (como o da Collinear): quando passarem consistentemente de 90%, a economia da segurança inverte. Monitore também se OpenAI e Anthropic fecharão parcerias profundas com as plataformas consolidadas ou tentarão o caminho direto — a primeira rota acelera a adoção; a segunda aumenta o risco de rejeição corporativa. Para o executivo, a ordem prática é clara: assuma que o perímetro já caiu e invista em arquitetura de “confiança zero” assistida por IA, não apenas em mais firewalls.