Economia

Alíquota da CBS em 11,3%: o que ninguém contou sobre 2027

Gráfico mostra alíquota CBS 11,3% definida pelo TCU com símbolos do Congresso Nacional e calculadora financeira
TCU fixa alíquota da CBS em 11,3%, acima das projeções, e Senado deve votar até dezembro

A alíquota de referência da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) foi fixada em 11,3% pelo TCU, patamar bem acima dos 9% projetados por especialistas. O valor segue agora para o Senado, que tem até dezembro para referendar a resolução, mas a incerteza já obriga empresas a refazerem contas para o ano que vem. O cronograma aperta e as regras definitivas ainda não existem.

O choque da alíquota e a corrida no Congresso

Na quarta-feira passada (28), o Tribunal de Contas da União aprovou o percentual que substituirá PIS, Cofins, IOF-Seguros e parte do IPI a partir de 1º de janeiro de 2027. Técnicos do governo argumentam que 9% seria insuficiente para manter a arrecadação federal na transição.

A Coalizão das Frentes Produtivas — que reúne 12 frentes parlamentares e 12 entidades, como ABIH, FOHB e Sindepat — divulgou manifesto alertando para a quebra da neutralidade tributária. O grupo pede que o Senado analise com rigor o cálculo apresentado, temendo repasse de custos ao consumidor final.

Imposto Seletivo e o “remendo” do IPI em janeiro

Enquanto a CBS avança, o governo deve encaminhar ainda esta semana a medida provisória com as alíquotas do Imposto Seletivo (o “Imposto do Pecado”) e uma PEC para prorrogar o IPI temporariamente. A jogada é técnica: o Seletivo tem noventena (90 dias) e só passa a valer em fevereiro de 2027.

Para não perder arrecadação em janeiro, o IPI será mantido apenas sobre os itens que entrarão no Seletivo. Confira o que está na mira:

  • Veículos, embarcações e aeronaves;
  • Cigarros e derivados do tabaco;
  • Bebidas alcoólicas e açucaradas;
  • Bens minerais;
  • Concursos de prognósticos (loterias).

Para os demais — cerca de 95% da produção nacional —, o IPI será zerado já em 1º de janeiro. A lista oficial dos produtos mantidos deve ser publicada nos próximos dias.

Insegurança jurídica e o clamor por adiamento

A advogada Priscila Faricelli, sócia do Demarest Advogados, resume o dilema: sem a votação final do Senado, não há parâmetro definitivo para orçamentos de 2027. “A falta de alíquotas e transparência impede que as empresas se preparem”, afirma.

Além da alíquota, o setor produtivo aponta o custo operacional da adaptação: adequação de notas fiscais, sistemas internos e integração com a Receita Federal. A reclamação é unânime: o prazo é exíguo para a complexidade da mudança. A expectativa majoritária entre empresários é de que o governo postergue o início da vigência.

Cronograma oficial: as datas que importam

Entender as etapas evita surpresas no fluxo de caixa:

  • 2026: Testes dos novos tributos (sem cobrança);
  • Jan/2027: Início da CBS (substitui PIS, Cofins, IOF-Seguros); IPI zerado para maioria;
  • Fev/2027: Início da cobrança do Imposto Seletivo;
  • 2029 a 2032: Transição gradual do ICMS e ISS para o IBS (Estadual/Municipal);
  • 2033: Sistema totalmente implementado, com extinção do ICMS e ISS.

O que observar daqui para frente

Três movimentos definirão o cenário real das empresas nos próximos 60 dias: a votação da resolução no Senado (que pode alterar a alíquota da CBS), a publicação da MP com as faixas do Imposto Seletivo e a eventual edição de ato normativo prorrogando a entrada em vigor. Quem antecipar cenários com base nesses gatilhos ganha tempo para ajustar preços, contratos e tecnologia antes da virada do ano.