Economia

Fim da 6×1: o segredo que ninguém conta sobre a informalidade…

Infográfico mostra trabalhadores brasileiros divididos entre formal e informal com destaque para escala 6x1 e taxa de 37,4% de informalidade
Gráfico ilustra impacto do fim da escala 6x1 na informalidade que atinge 38,6 milhões no Brasil.

O fim da escala 6×1 pode elevar a informalidade nas margens do mercado, mas especialistas descartam uma hecatombe no emprego formal. A dúvida que fica é: qual será o custo real para o seu negócio?

O que os números do IBGE revelam agora

A taxa de informalidade fechou o segundo trimestre de 2026 em 37,4% — 38,6 milhões de trabalhadores sem carteira assinada. É o menor patamar para o período desde 2020, mas o mapa segue desigual. No Maranhão, no Pará e no Amazonas, mais de metade da população ocupada está na informalidade. Em Santa Catarina e no Distrito Federal, a taxa não chega a 30%.

O choque imediato nas pequenas empresas

Com a extinção da 6×1, o empregado formal passa a ter duas folgas semanais remuneradas. A jornada cai de 44 para 40 horas, mas a transição será escalonada. A maior parte da força de trabalho já opera no regime 5×2, o que amortece o impacto inicial.

O cenário mais provável, segundo Gabriel Ulyssea (UCL) e Sergio Firpo (Insper), é um aumento pontual de contratações “por fora”, repasse de custos aos preços e compressão de margens. Demissões em massa são improváveis enquanto o desemprego permanecer baixo.

Três visões, um consenso: não há colapso

  • Ulyssea: “Não vai ser hecatombe de jeito nenhum”. Cita a PEC das Domésticas — previsões de fim do mundo não se confirmaram. Defende ampliar banco de horas e facilitar contrato por tempo parcial.
  • Firpo: Vê alta da informalidade na margem, sobretudo em microempresas com pouca fiscalização. O jovem da periferia no Norte e Nordeste tende a permanecer mais tempo sem carteira.
  • Marilane Teixeira (Cesit/Unicamp): A hipótese de aumento da informalidade “precisa ser demonstrada”. Reconhece dificuldades de adaptação para pequenos negócios, mas rejeita conclusões automáticas.

O que os donos de negócio já estão fazendo

Pesquisa do Sebrae mostra que a expectativa de impacto negativo caiu de 32% (2024) para 27% (2026). Mais da metade (51%) não espera nenhum efeito. Entre as estratégias declaradas:

  • 28,9% pretendem aumentar preços
  • 24% vão reorganizar turnos
  • O restante aposta em ganhos de produtividade ou absorção via folga compensatória

As medidas do governo para conter o vazamento

Para evitar migração para a informalidade, o Palácio do Planalto prepara dois pilares: perdão de dívidas de empresas de eventos enquadradas no Simples Nacional — nos moldes do que foi feito com MEIs — e uma linha de crédito subsidiada do BNDES para pequenos empreendimentos, com liberação prevista para os próximos dias.

A armadilha estrutural que persiste

Mesmo com a taxa no menor nível desde a pandemia, a informalidade nunca caiu abaixo de 20% desde 1940. Ulyssea aponta: “É sintoma de muitas empresas de baixa produtividade que permanecem pequenas”. Firpo adiciona que custos de demissão (FGTS, aviso prévio) encarecem a formalização, concentrando trabalhadores sem carteira ao redor do salário mínimo.

Teixeira lembra que abrir CNPJ não garante proteção: dos 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria, 64,1% não contribuíam para a Previdência em 2025. Entre 17,4 milhões de MEIs, apenas 10,1 milhões entregaram a declaração anual.

O que observar daqui para frente

A reforma trabalhista de 2017 não resolveu a rigidez: o contrato intermitente teve adesão abaixo de 1%. Ao mesmo tempo, o Auxílio Brasil a R$ 600 passou a competir com vagas formais de entrada. Para o empresário, a equação prática nos próximos trimestres será: quanto custa manter a equipe formal versus o risco de fiscalização e passivo trabalhista? A resposta determinará se a margem de informalidade cresce — ou se o mercado encontra um novo equilíbrio.