Rafael Câmara pode estrear na Fórmula 1 já no GP de São Paulo, mas a Ferrari ainda não recebeu nenhum pedido para liberar o piloto. A Haas afastou Esteban Ocon para as quatro etapas finais e o brasileiro surge como favorito à vaga. A definição, no entanto, depende de uma negociação que sequer começou oficialmente.
O terremoto na garagem da Haas
A equipe americana confirmou na manhã de sábado (31) que Ryo Hirakawa assume o carro de Ocon no GP da Cidade do México. Nos bastidores do Autódromo Hermanos Rodriguez, a informação é de que o francês não retorna mais em 2024. A relação entre piloto e time já vinha se deteriorando há meses.
O estopim teria sido uma discussão acalorada sobre estratégia durante a reunião pós-treinos livres de sexta-feira. A decisão de romper o contrato antecipadamente foi tomada entre a noite de sexta e a manhã de sábado, pegando o paddock de surpresa.
O plano A tem nome e sobrenome: Rafael Câmara
Líder da Fórmula 2 aos 21 anos, Câmara é o alvo natural para acelerar a transição. Ele já possui os pontos necessários para a Superlicença, independentemente do desfecho do campeonato de base. O entrave não é técnico, mas contratual: o piloto pertence à academia da Ferrari.
O cronograma original previa a participação dele apenas no primeiro treino livre em Interlagos com o carro vermelho. Para correr pela Haas, a liberação antecipada da Scuderia é obrigatória. Até o momento, segundo apuração no paddock mexicano, não houve qualquer solicitação formal.
O obstáculo do calendário: Hirakawa e o Mundial de Endurance
Hirakawa cumpriu a regra de ceder o carro a novatos no TL1 do México, mas seu contrato com a Haas cobre apenas esta etapa. Existe um impasse de datas: o japonês luta pelo título do Mundial de Endurance (WEC) em Monza no mesmo fim de semana do GP de São Paulo (1 a 3 de novembro).
Se Hirakawa priorizar a decisão do WEC — cenário provável —, a Haas ficará sem piloto para Interlagos. Isso acelera a necessidade de uma definição sobre Câmara ou a ativação da opção reserva.
A carta na manga: Jack Doohan aguarda a vez
O australiano é o piloto reserva oficial da equipe americana. Ele não viajou ao México justamente porque Hirakawa ocuparia a vaga de treino. Doohan conhece o carro e o ambiente, representando a solução mais imediata e burocraticamente simples.
A diretoria da Haas pesa dois cenários:
- Antecipar Câmara: ganha tempo de adaptação para 2025, mas exige negociação complexa com a Ferrari e preparação corrida.
- Usar Doohan: resolve o buraco imediato sem atritos contratuais, mas “queima” a preparação do titular do ano que vem.
O que observar daqui para frente
As próximas 48 horas são decisivas. A Haas precisa alinhar a logística de Interlagos com a disponibilidade de Hirakawa e a vontade da Ferrari. Se a Scuderia autorizar a liberação, Câmara fará história como o mais novo brasileiro no grid desde 2017. Caso contrário, Doohan assume o volante ou Hirakawa faz dobradinha WEC/F1 — algo logísticamente quase impossível. O xadrez está montado; falta a primeira jogada oficial.
