Justiça

Tiroteio em barbearia: Suspeito preso após cerco, mas vítima se recusa a acusar

Barbearia em Curvelo com marcas de tiros e fita policial após tiroteio que deixou um ferido
Cena do crime na barbearia no bairro Vila de Lourdes onde jovem de 22 anos atirou contra homem de 25 anos

Um jovem de 22 anos foi preso em flagrante na sexta-feira (30) suspeito de atirar contra um homem de 25 anos dentro de uma barbearia no bairro Vila de Lourdes, em Curvelo. A reviravolta, no entanto, veio depois das grades: a vítima decidiu não formalizar a queixa.

O crime deixou marcas visíveis no estabelecimento e em veículos estacionados nas proximidades. A perícia recolheu estojos de calibre .40, um projétil e uma mira a laser abandonada no local. Mas o silêncio de quem levou os tiros pode pesar mais que as provas materiais.

Como a polícia chegou ao suspeito em poucas horas

O rastreamento começou assim que a vítima deu entrada no hospital com duas perfurações. Ela relatou inicialmente que dois homens em uma motocicleta dispararam várias vezes contra ela.

Com as características dos atiradores e imagens de segurança em mãos, a Polícia Militar montou um cerco em uma residência próxima. Ao notar a aproximação das equipes, o suspeito tentou escapar pulando o muro dos fundos, mas foi contido no quintal.

Ele vestia roupas idênticas às vistas nas câmeras do comércio. Um celular também foi apreendido durante a ação e deve passar por perícia para esclarecer a dinâmica e a motivação.

O depoimento que mudou o rumo do inquérito

Enquanto o suspeito era levado para a delegacia, a vítima deixou o hospital sem alta médica. Localizada pelos militares, foi conduzida para prestar esclarecimentos.

Foi então que o cenário inverteu: o homem de 25 anos optou por não representar criminalmente contra o preso. Ele se retratou da identificação que havia feito anteriormente aos policiais, segundo o boletim da PM.

  • Armamento: Calibre .40 e mira a laser recolhidos no local.
  • Provas: Estojos deflagrados, projétil e aparelho celular do suspeito.
  • Status: Suspeito na Delegacia de Polícia Civil; inquérito instaurado.

O que a ausência de representação significa na prática

No Brasil, a tentativa de homicídio é crime de ação penal pública incondicionada. Isso significa que o Ministério Público pode — e deve — dar continuidade à denúncia mesmo sem a vontade da vítima.

Porém, a retratação enfraquece a tese da acusação e dificulta a coleta de detalhes sobre a motivação. Sem o depoimento colaborativo, a polícia depende exclusivamente de provas técnicas e testemunhas indiretas para fechar o caso.

O que observar nos próximos capítulos

A investigação segue sob sigilo na Polícia Civil. A análise do celular apreendido e das imagens de segurança serão decisivas para confirmar se o preso era o atirador ou o garupa da motocicleta.

Resta saber se a perícia balística ligará a arma — ainda não localizada — aos estojos encontrados. Enquanto isso, o suspeito permanece à disposição da Justiça, e o inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado.