O México restringiu o embargo sanitário apenas a Santa Catarina, mantendo aberto o mercado para o restante do Brasil. A decisão, anunciada pelo Ministério da Agricultura nesta sexta-feira (30), evita perdas bilionárias para o setor avícola nacional.
Até a semana passada, um único foco de doença de Newcastle poderia fechar as portas mexicanas para toda a proteína brasileira. A mudança de regra altera radicalmente o cenário para exportadores e investidores.
O que mudou na prática
O reconhecimento da regionalização sanitária significa que o México passou a aceitar o princípio de que um surto em um estado não contamina a produção nacional. Santa Catarina responde por cerca de 15% do volume exportado ao mercado mexicano, segundo dados do setor.
Os demais 85% — concentrados no Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo — seguem com acesso livre. Em 2023, o México importou 182 mil toneladas de carne de frango do Brasil, gerando receita superior a US$ 340 milhões.
Impacto direto no caixa das empresas
Para os grandes frigoríficos com plantas no Sul e Sudeste, a notícia elimina o risco de paralisação de linhas de abate destinadas ao México. Já para cooperativas e integradoras catarinenses, o prejuízo é imediato: embarques suspensos, redirecionamento de cargas e pressão sobre margens.
- Paraná e RS: mantêm fluxo normal, sem interrupção de contratos
- Santa Catarina: embargo total enquanto durar a vigilância
- Mercado interno: possível excesso de oferta pressiona preços no curto prazo
Mas o efeito mais relevante aparece na negociação de novos contratos anuais, que costumam ser fechados no primeiro trimestre.
Por que o México aceitou a regionalização agora
O acordo bilateral previa essa possibilidade desde 2019, mas exigia comprovação de rastreabilidade e barreiras interestaduais eficazes. O Brasil apresentou, nos últimos 18 meses, um sistema de monitoramento com 4.200 pontos de vigilância ativa e bloqueios sanitários nas divisas de SC.
A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) validou o modelo em setembro. O México, maior comprador de carne de frango brasileira nas Américas, seguiu a recomendação técnica.
Cenários para os próximos 90 dias
O Ministério da Agricultura estima que Santa Catarina possa recuperar o status livre em 60 a 90 dias, caso não surjam novos focos. O protocolo exige 28 dias sem detecção do vírus, seguidos de sorologia negativa em amostragem estatística.
Enquanto isso, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) negocia o redirecionamento de 12 mil toneladas mensais para Chile, Emirados Árabes e África do Sul — mercados com cotas ociosas no segundo semestre.
O que observar daqui para frente
Três variáveis definirão o tamanho do impacto financeiro: velocidade da erradicação em SC, capacidade de realocação de volumes e eventual pressão do México para revisar cotas anuais. Empresas com diversificação geográfica de plantas saem na frente. Quem depende exclusivamente de Santa Catarina para o mercado mexicano precisará rever contratos e fluxo de caixa ainda este trimestre.
