Economia

CSN fatura R$ 12,7 bi, lucro da Vale derrete 53% e Petrobras acha petróleo

Gráficos de ações da CSN, Vale e Petrobras com indicadores financeiros contrastantes
Resultados divergentes: CSN fatura R$ 12,7 bi enquanto lucro da Vale cai 53% e Petrobras expande pré-sal

A sexta-feira (30) amanhece com um choque de realidades para o investidor: enquanto a CSN blinda uma venda bilionária, a Vale entrega lucro metade do ano passado e a Petrobras amplia a fronteira do pré-sal. O radar corporativo de hoje separa quem está encolhendo de quem está crescendo — e a diferença está nos detalhes que o consenso ignorou.

O golpe de mestre da CSN e a chinesa Huaxin

A manchete do dia não é um balanço, mas uma transação estratégica. A CSN (CSNA3) concedeu exclusividade de dez dias à Huaxin Building Materials Group para a venda da CSN Cimentos Brasil por R$ 12,7 bilhões (enterprise value).

Se confirmado, o deal resolve dois problemas de uma vez: desalavanca o balanço da siderúrgica e tira do radar um ativo cíclico em momento de juros altos. O mercado já precificava a venda, mas o valor final supera as estimativas mais conservadoras que rondavam R$ 10 bi.

Agora, o relógio corre: a due diligence da chinesa dita o ritmo. Qualquer ruído nas próximas duas semanas pode devolver a volatilidade ao papel.

Mineração e siderurgia: o inverno dos lucros

Do lado da produção pura, o humor é outro. A Vale (VALE3) reportou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no 3T26 — queda de 53% na base anual e 9% frente ao trimestre anterior. O número veio em linha com a projeção LSEG (US$ 1,38 bi), mas a trajetória descendente assusta quem esperava piso.

A Usiminas (USIM5) inverteu o prejuízo de R$ 3,5 bi de 2025 para lucro de R$ 243 milhões. Parece vitória, mas o consenso IBES esperava R$ 300 milhões. A margem ainda não convence.

  • Vale: Lucro US$ 1,255 bi (-53% a/a); em linha com estimativas.
  • Usiminas: Lucro R$ 243 mi (vs prejuízo a/a); abaixo do consenso (R$ 300 mi).

O recado do setor: a receita chinesa não puxa mais o bonde sozinha. Custo de frete e minério de ferro pressionam a linha final.

Shoppings e logística: onde o dinheiro apareceu

Enquanto commodities penam, ativos reais e logística mostram força. A Multiplan (MULT3) brilhou com alta de 73,3% no lucro líquido (R$ 383 mi) e EBITDA saltando 37,3% para R$ 598 milhões. A vacância caiu e o aluguel mesmo shopping (SSR) segue positivo.

A Vamos (VAMO3) quase triplicou o lucro: R$ 150,9 milhões (+199% a/a). A tese de “aluguel de frota pesada” provou resiliência — demanda aquecida em agro, construção e indústria elevou a rentabilidade por ativo.

A JSL (JSLG3) cresceu 12,6% no lucro ajustado (R$ 40,3 mi), num ritmo mais moderado, mas consistente. O setor de logística integrada segue como porto seguro defensivo.

Petróleo e petroquímica: volume cai, spread sobe, fronteira avança

A Braskem (BRKM5) entrega o retrato mais complexo do dia. As vendas de principais químicos no Brasil despencaram 18% na comparação anual. Porém, o spread de resinas subiu 5% e o de principais químicos disparou 50%. A utilização de eteno subiu para 69% (vs 65% em 2025).

Tradução: vende-se menos volume, mas a margem por tonelada compensa. O risco é a sustentabilidade se a demanda global não reagir.

Já a Petrobras (PETR4) não para. A estatal confirmou a terceira descoberta de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas (bloco FZA-M-59). Águas ultraprofundas, costa do Amapá. A exploração segue viva mesmo sob pressão política.

Movimentos de bastidor: Raízen, Irani e troca de posições

Na esteira das controladoras, a Shell converteu 1,23 bilhão de ações ON da Raízen (RAIZ4) em PN, simplificando a estrutura e aumentando o free float percebido. Na prática, mais liquidez para o papel preferencial.

A Irani (RANI3) reportou lucro de R$ 56,5 milhões nas operações continuadas (+34,3% a/a), beneficiada por preço de celulose e papel. Pequena, mas consistente.

No tabuleiro acionário, destaque para entradas de grandes gestoras: M&G subiu para 5,74% na MRV (MRVE3); Guepardo foi a 5,20% na Allos (ALOS3); Fidelity marcou 5,01% na Hypera (HYPE3). Smart money comprando varejo, shoppings e farma.

O que observar daqui para frente

A temporada de balanços entra na reta decisiva. Três gatilhos mandam no curto prazo:

  • CSN: Fechamento (ou ruptura) do deal com a Huaxin até 10 de novembro.
  • Minério de ferro: Dados de estoque portuário e produção industrial da China na próxima semana ditam o humor de Vale e Usiminas.
  • Petrobras: Plano estratégico 2025-2029 (previsto para novembro) — o mercado precifica corte de capex, mas a Foz do Amazonas pode mudar a narrativa de reserva.

Quem leu até aqui sai na frente: a bolsa não está cara nem barata; está seletiva. A alocação setorial vale mais que o índice.