A alta no querosene de aviação (QAV) derrubou em 5% a oferta de voos domésticos prevista para novembro. A Abear revisou a projeção de crescimento de 9,4% para 4,2% — e o impacto já aparece nos bilhetes.
Dados do Siros, da Anac, mostram que a malha encolheu de 69.545 para 66.210 decolagens em poucos meses. São 3.335 operações a menos. O que isso significa na prática para quem voa a trabalho ou lazer?
O combustível que pesa no bolso
Hoje, o QAV responde por 46% dos custos operacionais das aéreas. Quando o barril sobe, a conta chega rápido na tarifa. Entre fevereiro e setembro, a passagem média subiu 18,5%: de R$ 629,95 para R$ 746,57.
A escalada coincide com a instabilidade no Oriente Médio. Mas o efeito não é uniforme pelo país.
Quem perde, quem ganha
Dezessete estados terão retração acima da média nacional. Dois chamam atenção:
- Sergipe: -24,8% na oferta
- Bahia: -17,4%
Nos grandes hubs, a queda é menor, mas relevante: São Paulo (-3,8%) e Rio de Janeiro (-7,7%). Juntos, concentram o maior volume de passageiros.
O contraponto no Norte e Centro-Oeste
Oito estados fogem da tendência e mantêm expansão:
- Roraima: +15,3%
- Acre: +11,4%
- Rondônia: +10,8%
- Amazonas: +9,6%
- Tocantins: +8,4%
- Mato Grosso do Sul: +4%
- Piauí: +3%
- Santa Catarina: +0,3%
Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.
Menos oferta, mais pressão no preço
A redução de 500 mil assentos não significa cancelamentos em massa de viagens já compradas. Significa menos opções, horários mais restritos e, consequentemente, menos poder de barganha para o passageiro.
Com a demanda aquecida de fim de ano se aproximando, a equação é simples: menos voos disputando o mesmo público.
O que observar daqui pra frente
O cenário depende de duas variáveis: o preço do barril no mercado internacional e a taxa de câmbio. Qualquer alívio no QAV pode reverter parte dos cortes. Até lá, antecipar a compra e monitorar rotas alternativas segue sendo a melhor estratégia para quem precisa voar nos próximos meses.
