Justiça

Meta fecha acordo bilionário e deixa Snapchat sozinho no banco dos réus…

Meta e Snapchat em disputa judicial sobre vício em redes sociais adolescentes
Meta fecha acordo e deixa Snapchat sozinho em julgamento sobre vício de adolescentes em redes sociais.

A Meta acertou um acordo confidencial com a segunda adolescente que a processava por vício em redes sociais, retirando-se de um julgamento que agora prossegue apenas contra o Snapchat. A decisão altera o tabuleiro de uma batalha jurídica que envolve milhares de ações semelhantes nos Estados Unidos.

O desfecho foi anunciado nesta sexta-feira (30), após o início da seleção do júri em um tribunal estadual de Los Angeles. Duas jovens — identificadas como S.J., de 16 anos, e K.D.B., de 18 — moviam a ação contra Meta, Snap, TikTok e YouTube. As plataformas de vídeo curto já haviam fechado acordos com ambas anteriormente.

O que muda no processo de referência

Este caso foi escolhido como processo-teste entre milhares de ações pendentes. O veredicto do júri serviria de parâmetro para acordos futuros. Com a saída da Meta, o julgamento perde seu réu de maior porte financeiro e segue apenas com a Snap no banco dos réus.

Advogados de K.D.B. classificaram a resolução como “justa”. A Meta, por sua vez, afirmou que acordos fazem parte da avaliação rotineira de litígios e reforçou que mantém sua posição sobre o histórico de segurança da empresa.

Números que dimensionam o risco para as big techs

  • US$ 6 milhões — indenização determinada a uma jovem em julgamento anterior encerrado em março, onde Meta e YouTube foram considerados negligentes
  • US$ 18 bilhões — valor potencial de acordos firmados em agosto com quase todos os estados americanos por danos a adolescentes
  • US$ 25 bilhões — multa aplicada no Novo México neste mês por enganar usuários sobre privacidade e discurso de ódio (a Meta vai recorrer)

Esses valores mostram a escalada de custos legais. Para investidores, a variável crítica não é apenas o montante de cada acordo, mas a obrigatoriedade de mudanças de produto — como a Meta já aceitou implementar no Instagram e no Facebook para usuários adolescentes.

O argumento central: design viciante

As autoras alegam que começaram a usar YouTube aos três anos e Instagram, Snapchat e TikTok por volta dos nove. Apontam recursos como rolagem infinita, reprodução automática e algoritmos de recomendação como mecanismos deliberados para criar uso compulsivo.

As empresas negam intencionalidade. Sustentam que desenvolveram ferramentas de controle parental, limites de tempo e verificação de idade ao longo da última década.

Por que o Snapchat permanece exposto

A Snap não comentou o acordo da concorrente. A permanência da empresa no julgamento concentra atenções: se o júri considerar a plataforma negligente, o precedente abre caminho para que milhares de autores pressionem por acordos em valores semelhantes ou superiores.

Além disso, o primeiro distrito escolar selecionado para julgamento já fechou com todas as empresas. O movimento sugere que réus preferem evitar o veredicto de um júri — imprevisível e potencialmente punitivo — em favor de custos certos.

O que observar daqui para frente

Três frentes merecem monitoramento contínuo: o desfecho do julgamento contra o Snapchat nas próximas semanas; a implementação prática das mudanças de produto acordadas pela Meta em agosto; e a possível onda de acordos em cascata caso o júri condene a Snap. Para quem aloca capital no setor, o custo de conformidade e o risco de litígio deixaram de ser variáveis marginais e passaram a compor o valuation central.