Tecnologia

O segredo de 72 anos: como uma indústria de couro dobrou a aposta em tecnologia e cortou desperdícios

Fábrica moderna de couro Viposa com automação e tecnologia sustentável
Indústria Viposa une tradição de 72 anos à inovação tecnológica para produção sustentável

A Viposa, referência no setor coureiro com mais de sete décadas de história, prova que longevidade não significa estagnação. A empresa transformou sua operação integrando digitalização, automação e energia limpa para produzir mais com menos. O resultado aparece na eficiência energética, na gestão da água e na segurança do chão de fábrica.

Mas como uma indústria tradicional consegue modernizar ativos pesados sem parar a produção? A resposta está na estratégia de evolução contínua, não em saltos únicos.

Modernização que se paga: equipamentos, dados e decisão

A troca de máquinas antigas por equipamentos de precisão alterou a matemática da fábrica. O controle rigoroso de parâmetros reduziu o consumo de água, energia e insumos químicos por metro quadrado de couro processado.

A digitalização veio na sequência. Sensores espalhados pela linha transformam ruído operacional em dados acionáveis. Gestores passam a enxergar gargalos em tempo real e corrigem desvios antes que virem prejuízo.

Um efeito colateral bem-vindo: a automação afastou colaboradores de etapas de alto risco, elevando os índices de segurança sem discursos, apenas com engenharia.

  • Controle de processo: parâmetros padronizados reduzem refugo.
  • Base de dados: histórico digital acelera auditorias e certificações.
  • Menor exposição: robôs assumem tarefas repetitivas e perigosas.

Energia solar e água de chuva: a conta fecha no fim do mês

A sustentabilidade na Viposa não vive de slogans. O parque solar instalado nas unidades já supre cerca de 30% da demanda elétrica, blindando a operação contra variações tarifárias e bandeiras vermelhas.

No front hídrico, a captação e o reúso de água pluvial somam-se a sistemas de recirculação interna. Cada litro economizado diminui o custo de captação e o volume de efluente a tratar.

Resíduos sólidos seguem a mesma lógica: separação na origem, recuperação de subprodutos e destinação certificada para o que não tem reaproveitamento técnico. Nada vai para aterro sem justificativa.

P&D colado na fábrica: antecipar para não correr atrás

Exigências de mercados internacionais e certificações de qualidade costumam chegar antes da lei. A estratégia da empresa é manter o laboratório de pesquisa e desenvolvimento dialogando diariamente com a produção.

Isso permite testar formulações mais limpas, ajustar curtimento para menor tempo de processo e validar novos acabamentos sem interromper a linha principal. A experiência de 72 anos funciona como filtro: evita erros de principiante, mas não veta experimentos.

Segundo a liderança, antecipar tendências é a única forma de manter contratos de longo prazo com marcas globais que endurecem critérios ESG a cada renovação.

O que observar daqui para frente

A integração entre dados de produção, matriz energética própria e gestão de resíduos cria um ciclo de feedback que tende a acelerar. Cada ponto percentual de eficiência extra libera caixa para o próximo investimento tecnológico.

Para investidores e parceiros da cadeia, o sinal é claro: a competitividade no couro premium deixou de depender apenas da matéria-prima e passou a ser definida pela inteligência operacional por trás do processo. Acompanhar os próximos relatórios de eficiência hídrica e a expansão da capacidade solar será o termômetro real da execução dessa tese.