A taxa de desocupação fechou o trimestre até setembro em 5,2%, o patamar mais baixo para o mês desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. O número veio exatamente na mediana das projeções do mercado, mas esconde sinais de alerta que ninguém está contando.
São 5,6 milhões de brasileiros sem emprego — 234 mil a menos que no trimestre anterior. Ao mesmo tempo, a população ocupada bateu recorde: 103,6 milhões de pessoas trabalhando. Parece vitória. O problema está no ritmo.
O freio que ninguém esperava tão cedo
Economistas ouvidos pelo IBGE apontam perda clara de fôlego nas últimas leituras. A criação de vagas desacelerou justamente quando os juros seguem elevados para conter a inflação. O mercado de trabalho ainda está forte, mas parou de acelerar.
Essa desaceleração coincide com a discussão sobre o fim da escala 6×1, que entra em vigor em meados de dezembro. Três em cada dez empregos formais no país operam nesse modelo hoje. A mudança pode redistribuir horas — ou custos — de formas que os dados atuais ainda não capturam.
Três forças por trás do número recorde
- Atividade econômica resiliente: o crescimento dos últimos anos segurou a contratação mesmo com Selic alta.
- Envelhecimento populacional: mais brasileiros saem da força de trabalho por idade, reduzindo a pressão sobre a taxa — mas inchando a conta previdenciária.
- Tecnologia e plataformas: cerca de 2 milhões de pessoas já tinham no trabalho por aplicativo sua ocupação principal ou secundária em 2025, segundo módulo anual da Pnad.
O que observar daqui para frente
O dado de setembro é retrospecto. O trimestre atual já carrega o impacto da mudança na jornada de trabalho, o ciclo de juros restritivos e a sazonalidade de fim de ano. Se a desaceleração se confirmar, a taxa pode parar de cair — ou até subir — nos primeiros meses de 2026. Para quem toma decisão de investimento ou contratação, o sinal está dado: o mercado de trabalho parou de melhorar. Agora é gerenciar o platô.
