Economia

CBS a 11,3% e IOF no radar: o que empresas e investidores precisam saber agora

Gráfico mostra alíquota CBS 11,3% definida pelo TCU e alerta sobre IOF em LCI, LCA, CRI, CRA e debêntudes incentivadas
CBS a 11,3% e possível IOF em investimentos isentos pressionam custo de crédito no Brasil

A alíquota de referência da CBS foi fixada em 11,3% pelo TCU — bem acima dos 9,21% que o mercado projetava. Ao mesmo tempo, o governo pode reabrir a discussão sobre tributar LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas via IOF. Duas frentes, mesmo risco: encarecer o crédito e a produção.

O Senado tem até 15 de dezembro para chancelar ou alterar o percentual da CBS. Enquanto isso, o fantasma de 2025 ronda o setor financeiro: o Congresso já derrubou um decreto semelhante por 383 votos a 98. O que muda agora?

Por que a CBS subiu tanto em relação à estimativa anterior

A reforma tributária prevê neutralidade arrecadatória: a troca de tributos não deve, em tese, aumentar nem reduzir a receita total. Mas a conta não fechou no número que se esperava.

O TCU aprovou por unanimidade a alíquota de 11,3% para 2027, quando a CBS substitui PIS, Cofins, IOF-seguros e parte do IPI. A diferença de mais de 2 pontos percentuais em relação à projeção de 9,21% não é um detalhe técnico — representa bilhões a mais na conta das empresas.

Segundo a Abrasca, que reúne mais de 450 companhias abertas, o aumento reflete a concessão de benefícios fiscais e regimes diferenciados durante a tramitação da reforma. Quanto mais exceções, maior a alíquota padrão para compensar.

O que está em jogo no Senado até 15 de dezembro

A decisão do TCU não é definitiva. Cabe ao Senado deliberar sobre o percentual final. A entidade pede transparência nas premissas do cálculo e alerta: a neutralidade deve considerar a carga efetivamente suportada pelas empresas, não apenas a arrecadação nominal.

Principais pontos que os senadores devem ponderar:

  • Impacto setorial: segmentos com menos regimes especiais arcam com peso desproporcional
  • Competitividade: alíquota mais alta encarece exportações e produção nacional
  • Previsibilidade: investimentos de longo prazo dependem de regras estáveis

Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor — o de financiamento de longo prazo.

O retorno da discussão sobre IOF em instrumentos de crédito

LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas financiam imobiliário, agronegócio e infraestrutura. Em 2025, o Congresso rejeitou duas tentativas de tributá-los: derrubou o decreto que elevava o IOF e deixou a MP 1.303 caducar.

A preocupação da Abrasca é que o governo tente contornar o Legislativo por novo decreto. A entidade argumenta que isso criaria insegurança jurídica: quem decide um investimento hoje precisa saber a carga tributária dos próximos anos.

“O que se espera é que a carga, que já é elevada, não aumente — nem pela calibragem da reforma nem por decreto”, afirma Cátilo Cândido, presidente-executivo da associação.

O custo real de tributar a captação de recursos

Taxar esses instrumentos gera arrecadação imediata, mas eleva o custo do crédito por um período longo. Projetos de infraestrutura, safras agrícolas e habitação popular dependem de funding barato e previsível.

Quando o spread bancário sobe por incerteza tributária, o efeito cascata atinge:

  • Taxas de financiamento imobiliário e rural
  • Viabilidade de projetos de energia, saneamento e logística
  • Custo de capital de giro para médias e grandes empresas

A entidade reconhece a necessidade de ajuste fiscal, mas defende que ele venha da eficiência do gasto público, não do aumento de impostos sobre quem produz e financia a produção.

O que observar nas próximas semanas

Três movimentos definem o cenário de curto prazo: a votação no Senado sobre a alíquota da CBS até 15 de dezembro; eventuais sinais do Executivo sobre novo decreto de IOF; e a reação do mercado de capitais à precificação desses riscos.

Para o empresário e o investidor, a ordem prática é revisar projeções de fluxo de caixa considerando a alíquota de 11,3% como cenário-base, monitorar a tramitação no Senado e manter posição defensiva em ativos sensíveis a mudanças no IOF até que o ruído político arrefeça. A reforma tributária avança — mas a conta final ainda está em aberto.