Economia

Dólar dispara 7,9% na semana e Ibovespa derrete 17,5%: o que está por trás do caos nos mercados

Gráfico financeiro mostra dólar em alta de 7,9% e Ibovespa em queda de 17,5% na semana
Dólar dispara 7,9% e Ibovespa derrete 17,5%: pior semana dos mercados em meses

O dólar abriu esta sexta-feira (30) cotado a R$ 5,3962, alta de 0,16% nas primeiras negociações, mas o número que assusta está no acumulado: a moeda americana subiu 7,9% apenas nos últimos cinco dias. Enquanto isso, o Ibovespa afundou 17,5% no mesmo período. O mercado vive uma tempestade perfeita — e o olho do furacão ainda não passou.

Emprego aquecido no Brasil não impede a fuga de capital

O IBGE divulgou hoje que a taxa de desemprego fechou o terceiro trimestre em 5,2%. Em tese, um sinal de força da economia. Na prática, investidores leram o dado como mais um motivo para o Banco Central manter juros altos por mais tempo, travando o crédito e freando o crescimento.

O mercado de trabalho resiliente virou dor de cabeça: pressiona a inflação, adia cortes na Selic e afugenta quem busca risco no Brasil.

O vácuo de poder na equipe econômica pesa mais que indicadores

Enquanto dados entram no radar, a principal incógnita segue política. A definição dos novos nomes para o Ministério da Fazenda e para as diretorias do Banco Central virou um jogo de espera que paralisa decisões.

  • Investidores exigem sinal claro de compromisso fiscal
  • Empresários cobram previsibilidade para planejar 2024
  • Cada dia sem anúncio aumenta o prêmio de risco Brasil

Sem âncora fiscal visível, o real segue refém da desconfiança.

EUA jogam gasolina: inflação e crescimento acima do esperado

O PCE — índice de inflação preferido do Fed — subiu 0,5% em setembro, puxado por gasolina. O PIB americano cresceu mais que o previsto no terceiro trimestre. Tradução: juros altos por lá por mais tempo.

Dinheiro caro nos EUA drena liquidez de emergentes. O Brasil, com seu déficit fiscal, sente o golpe em dose dupla.

Reforma tributária: TCU fixa CBS em 11,3% para 2027

Em meio ao turbilhão, o Tribunal de Contas da União aprovou a alíquota de referência da nova Contribuição sobre Bens e Serviços. O valor vai ao Congresso, mas o Senado tem a palavra final até 15 de dezembro.

Haverá ainda IBS transitório de 0,1% em 2027 e 2028 (dividido entre estados e municípios), com escalada gradual a partir de 2029. O modelo IVA promete não cumulatividade — na prática, créditos compensados ao longo da cadeia.

ICMS dos combustíveis sobe: mais pressão no caixa das famílias

O Confaz aprovou a atualização anual das alíquotas sobre gasolina, diesel e gás de cozinha. O repasse ao consumidor final é quase automático, corroendo renda real justamente quando o desemprego começa a dar sinais de alta.

Ásia sangra: China tem pior mês desde 2016

O contágio global não perdoa. Xangai caiu 1,4%, Nikkei recuou 2,12%, Kospi desabou 3,48%. A venda massiva de ações de inteligência artificial varreu a região. Hong Kong escapou com alta de 1,5%, mas o tom predominante é de pânico.

O que observar nos próximos dias

A definição da equipe econômica de Lula é o gatilho imediato. Sem nomes, o dólar tende a testar R$ 5,50. Com anúncio crível, pode haver alívio temporário — mas o fiscal segue a variável decisiva. Acompanhe também a reação do Congresso à alíquota da CBS e o próximo comunicado do Fed. O cenário muda por hora; posicionamento exige nervos de aço e stop-loss bem calibrado.