Economia

Tríplice disputa: Bahia, Palmeiras e São Paulo brigam pelo topo da gestão no futebol feminino

Escudos de Bahia, Palmeiras e São Paulo sobre fundo de estádio com taça de premiação de futebol feminino
Tríplice disputa: Bahia, Palmeiras e São Paulo concorrem ao prêmio de melhor gestão do futebol feminino 2026

Três gigantes do futebol brasileiro acabam de entrar na reta final para levar o troféu de Melhor Departamento de Futebol Feminino da temporada. Bahia, Palmeiras e São Paulo foram escolhidos por dirigentes da elite nacional como os projetos que mais profissionalizaram a modalidade em 2026. O vencedor será conhecido no dia 15 de novembro, em cerimônia no Museu do Futebol, em São Paulo.

A disputa expõe três modelos distintos de construção — e cada um carrega lições valiosas para quem investe ou gere clubes no país.

O salto do Bahia: SAF, continuidade e espaço próprio

O Tricolor baiano vive o auge desde que retomou o futebol feminino, em 2018. As Mulheres de Aço chegaram pela segunda vez seguida às semifinais da Copa do Brasil e, feito inédito, terminaram o Brasileirão entre as quatro melhores equipes do país. A goleira Yanne foi chamada para defender a Seleção em amistosos contra a Argentina.

A virada de chave coincide com a chegada do Grupo City, que comprou 90% da SAF em 2023. O departamento ganhou área exclusiva no centro de treinamento e apostou na estabilidade: 19 atletas do elenco de 2025 permaneceram, a maioria como titular, assim como o técnico Felipe Freitas.

Palmeiras: aporte recorde e ativos que se pagam

O ano alviverde começou com título da Supercopa sobre o Corinthians, embora Brasileirão e Libertadores tenham parado nas quartas. Nos bastidores, o clube segue elevando o patamar financeiro: a previsão orçamentária para 2026 beirava R$ 23,4 milhões.

  • R$ 18,5 milhões destinados ao elenco — trouxeram Bia Zaneratto e Antonia, ambas de Seleção.
  • O saldo financiou a construção de um CT de excelência em Vinhedo (SP), terreno de 692 m².
  • A obra foi viabilizada pela venda de Amanda Gutierres ao Boston Legacy (EUA) por quase R$ 6 milhões em 2025.

O modelo mostra como a gestão de ativos pode retroalimentar a estrutura.

São Paulo: a fábrica de jogadoras como diferencial competitivo

Campeão brasileiro vigente, o Tricolor paulista tem no trabalho de base sua assinatura. Nada menos que 14 atletas do elenco profissional passaram pelas categorias de formação do clube — as Soberanas. Duas delas, a zagueira Carol Gil e a atacante Isa, já vestiram a Amarelinha. O próprio técnico Thiago Viana subiu da base (sub-16 a sub-20) para o time principal em 2023.

Em 2026, o clube contratou psicólogas para integrar comissões técnicas desde o sub-15: Nathany Cavalcante no profissional e Djara Fortes, com uma década de Corinthians, na base. O sub-15, aliás, conquistou o tricampeonato do Paulista F Petrobras.

O que mais está em jogo na premiação

Além da gestão, o Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas contempla Craque da Torcida, Revelação, Melhor Treinador(a), Melhor Jogadora, Artilheira, Gol Mais Bonito, a categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio e a Seleção da Temporada com 11 destaques. O pacote completo desenha um raio-x do que funcionou — e do que pode ser replicado — no ecossistema do futebol feminino brasileiro.

O que observar daqui para frente

A cerimônia de 15 de novembro será mais que uma entrega de troféus: funcionará como termômetro do que o mercado valoriza hoje. Se o vencedor for o Bahia, o sinal é de que continuidade e integração pós-SAF pesam mais. Se o Palmeiras levar, o recado aponta para o poder do investimento pesado e da gestão de ativos. Uma vitória do São Paulo chancelaria a aposta na formação interna como motor sustentável. Para dirigentes, investidores e patrocinadores, a decisão oferece um case real de qual modelo — ou combinação deles — gera resultado esportivo e institucional ao mesmo tempo.