Economia

O segredo por trás dos 3 finalistas de melhor gestão no futebol feminino

Logos de Bahia, Palmeiras e São Paulo finalistas prêmio melhor gestão futebol feminino 2024
Três gigantes do futebol brasileiro disputam o título de melhor departamento feminino da temporada.

Bahia, Palmeiras e São Paulo são os finalistas ao prêmio de Melhor Departamento de Futebol Feminino do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas. O vencedor será anunciado em 15 de novembro, no Museu do Futebol, em São Paulo. O que diferencia cada modelo de gestão — e por que isso importa para quem investe no esporte — vai além das quatro linhas.

Três clubes, três estratégias distintas

A premiação avalia gestão, estruturação e valorização da modalidade ao longo da temporada. Os finalistas foram escolhidos por representantes dos próprios clubes da elite nacional. Cada um chegou à final por um caminho diferente: aporte de SAF, orçamento recorde ou formação de base como pilar.

O anúncio dos finalistas ocorreu nesta quinta-feira (29). A cerimônia de premiação também contempla categorias como Craque da Torcida, Revelação, Melhor Treinador, Artilheira e a Seleção da Temporada com 11 atletas.

Bahia: o efeito City Group na prática

O Tricolor vive o melhor ano desde a retomada do futebol feminino em 2018. As Mulheres de Aço estão nas semifinais da Copa do Brasil pela segunda vez consecutiva e alcançaram, pela primeira vez, o top-4 do Campeonato Brasileiro.

A transformação acelerou após a aquisição de 90% da SAF pelo Grupo City, em 2023. O departamento ganhou espaço exclusivo no centro de treinamento e apostou na continuidade: 19 atletas do elenco de 2025 permaneceram, a maioria como titulares, mantendo o técnico Felipe Freitas no comando. A goleira Yanne foi convocada para amistosos da Seleção Brasileira contra a Argentina.

Palmeiras: orçamento de R$ 23,4 milhões e CT próprio

O Verdão começou 2026 com título da Supercopa do Brasil sobre o Corinthians. Apesar das quedas nas quartas de final do Brasileirão e da Libertadores, o clube segue aumentando o aporte anual.

  • Orçamento 2026: R$ 23,4 milhões previstos para a modalidade.
  • Elenco: R$ 18,5 milhões destinados a contratações como Bia Zaneratto e Antonia, ambas de Seleção.
  • Estrutura: CT de excelência em Vinhedo (SP), 692 m², financiado pela venda de Amanda Gutierres ao Boston Legacy (EUA) por cerca de R$ 6 milhões em 2025.

O modelo alviverde combina investimento pesado em atletas de alto nível com construção de ativo próprio de infraestrutura.

São Paulo: a fábrica de jogadoras que virou campeã

Atual campeão brasileiro, o Tricolor tem no trabalho de base seu grande diferencial diante dos rivais. O elenco profissional conta com 14 jogadoras formadas nas categorias de base do clube — as Soberanas.

Duas delas, a zagueira Carol Gil e a atacante Isa, já vestiram a Amarelinha. O técnico Thiago Viana percorreu todo o caminho do sub-16 ao sub-20 antes de assumir o time principal em 2023.

Em 2026, o clube contratou psicólogas para o profissional (Nathany Cavalcante) e para a base (Djara Fortes, com década de serviços ao Corinthians). O sub-15 conquistou o tricampeonato do Paulista F Petrobras da categoria. A estrutura de comissões técnicas especializadas desde as categorias iniciais é o motor sustentável do projeto.

O que isso sinaliza para o mercado

Os três finalistas representam arquétipos de gestão que o mercado observa de perto: injeção de capital via SAF com padronização de processos (Bahia), orçamento crescente com geração de receita via transferências e ativos imobilizados (Palmeiras) e desenvolvimento interno com baixa dependência de contratações de impacto imediato (São Paulo).

A premiação ainda inclui a categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio, reforçando o papel social da modalidade. A tendência é que a profissionalização da gestão — com métricas, infraestrutura dedicada e integração entre base e profissional — deixe de ser diferencial para virar pré-requisito de competitividade.

O que observar daqui para frente

A cerimônia de 15 de novembro dará o veredito, mas o sinal já está dado: clubes que tratarem o futebol feminino como unidade de negócio autossustentável, com orçamento próprio, CT dedicado e pipeline de base, serão os que ditarão o ritmo nos próximos ciclos. Para investidores e gestores, a lição é clara: modelo de gestão vence talento isolado no longo prazo.