Economia

Klabin: Chuva no Paraná vai frear produção até 2027 — o que muda para o setor

Floresta de eucalipto da Klabin no Paraná alagada por chuvas excessivas
Chuvas recordes no Paraná paralisam operações florestais da Klabin até 2027.

A Klabin confirmou que o excesso de chuvas no Paraná deve comprometer sua operação florestal e industrial pelo menos até março de 2027. O anúncio partiu do próprio CEO da empresa, maior produtora de papel para embalagens do Brasil, em comunicado ao mercado nesta quinta-feira.

O cenário não é apenas climático — é logístico, financeiro e estratégico. E o efeito cascata já começa a ser calculado por analistas e concorrentes.

O que está por trás do alerta

Desde setembro, volumes atípicos de precipitação atingem as regiões onde a companhia mantém suas principais bases de plantio e fábricas. O solo encharcado impede a colheita de madeira, atrasa o transporte e reduz a eficiência das caldeiras de biomassa.

Em termos práticos: a empresa não consegue alimentar suas linhas de produção no ritmo planejado. A estimativa interna aponta para perdas de produtividade na casa de dois dígitos percentuais no quarto trimestre deste ano.

Impacto direto nos números

  • Volume de madeira colhida: queda projetada de 12% a 15% no 4T26
  • Custo caixa por tonelada: pressão altista de R$ 30 a R$ 45/t
  • Geração de caixa operacional: revisão para baixo nas projeções de 2026 e 1T27

A companhia não revisou guidance oficial, mas admitiu que o cenário base mudou. Investidores já precificam EBITDA mais fraco nos próximos dois trimestres.

Por que isso não se resolve com “mais caminhões”

O gargalo não é frota. É física do solo. Máquinas de grande porte afundam em terrenos saturados. Estradas de terra viram lama intransitável. Mesmo com frota ociosa, a madeira não chega à fábrica.

Além disso, a umidade excessiva eleva o teor de água na biomassa, reduzindo poder calorífico e forçando maior consumo de gás natural — insumo mais caro e sujeito a variações cambiais.

O efeito nos concorrentes e na cadeia

Suzano e Cenibra monitoram a situação. Ambas têm ativos no Sul, mas com exposição diferente. A Klabin é a mais dependente de florestas próprias no Paraná — cerca de 60% de sua base florestal está no estado.

Para o mercado de embalagens, o risco é de aperto de oferta no curto prazo. Grandes convertidores já consultam alternativas de importação, o que pressiona o dólar e a logística portuária.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definirão a velocidade da recuperação: regime de chuvas entre novembro e fevereiro, capacidade de secagem natural do solo e decisões de alocação de capital da empresa para mitigação (drenagem, estradas pavimentadas, estoques de segurança).

O próximo relatório de safra, previsto para janeiro, trará a primeira medição objetiva dos danos. Até lá, o mercado operará com cenários — e a ação tende a manter volatilidade acima da média setorial.

Para quem acompanha o setor de base florestal, o caso virou estudo de caso em tempo real: como eventos climáticos extremos reescrevem premissas de longo prazo em questão de semanas.