Meio Ambiente

PUC-Campinas vence prêmio nacional de sustentabilidade com projeto que vira lixo em adubo

Equipe da PUC-Campinas recebe prêmio nacional de sustentabilidade por projeto de compostagem de resíduos orgânicos
PUC-Campinas vence prêmio ABSC 2026 com projeto que transforma lixo orgânico em adubo para jardins do campus

A PUC-Campinas conquistou o primeiro lugar na categoria Melhor Case de Sustentabilidade no Prêmio Melhores do Ano em CSC 2026, realizado pela Associação Brasileira de Serviços Compartilhados (ABSC). O reconhecimento veio pelo projeto Juntos Compostamos e Reciclamos, que em apenas quatro meses transformou resíduos orgânicos das praças de alimentação em adubo natural para os jardins da universidade.

O anúncio ocorreu em 22 de outubro, durante o CSC Innovation Day no Welucci Gardens, em São Paulo. Mas a premiação esconde uma pergunta que interessa a qualquer gestor: como uma instituição de ensino conseguiu resultados mensuráveis de economia circular em tempo recorde?

O projeto que nasceu da operação, não do papel

Diferente de muitas iniciativas ESG que ficam restritas a relatórios, o case da PUC-Campinas nasceu na Gerência de Facilities, sob a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e Serviços Compartilhados. A lógica foi atacar o problema na fonte: o volume de resíduos orgânicos gerados diariamente nos campis.

Em operação desde junho de 2026, o projeto estrutura-se em três pilares diretos:

  • Redução da destinação de orgânicos para aterros sanitários
  • Segregação na origem com apoio da comunidade acadêmica
  • Destinação correta via convênio com a Prefeitura de Campinas e a Reciclamp (Rede de Cooperativas de Catadores)

O resultado prático: restos de alimentos viram adubo que retorna aos canteiros da universidade, fechando o ciclo. No Campus I, a distribuição de saquinhos de composto com QR Code explicativo para alunos e professores teve adesão imediata.

Por que o mercado de CSC está olhando para isso

O CSC Innovation Day reúne as maiores referências em Centros de Serviços Compartilhados do país. A pauta de 2026 deixou claro: eficiência operacional sozinha não basta mais. O setor cobra integração entre tecnologia, dados e práticas sustentáveis no core business.

Para o Prof. Dr. Marcos Carneiro da Silva, Pró-Reitor da área, a participação no prêmio reflete a busca constante por benchmarking de mercado. “Não adianta copiar manual. A gente testou, mediu e ajustou na operação real antes de mostrar para fora”, resume.

Mas o efeito mais relevante aparece na cadeia de valor local.

O gancho social que ninguém destaca no release oficial

O convênio com a Reciclamp coloca catadores de materiais recicláveis no centro da solução. Não é doação: é inclusão produtiva com remuneração. Cada quilo de reciclável que sai do campus e entra na cooperativa gera renda para famílias de Campinas e reduz a pegada de carbono da instituição.

Maria Cristina Pinheiro Zullo, administradora de Nutrição e Áreas de Conveniência, aponta o elo invisível: “Cuidar da alimentação é cuidar do meio ambiente. A cozinha deixa de ser só custo e passa a ser ativo ambiental.”

O que vem depois do troféu

A expansão já tem cronograma definido:

  • Novembro de 2026: implementação no Campus II
  • Início de 2027: ação de boas-vindas para calouros com kits de adubo e educação ambiental embarcada

Roberta Volpe, supervisora de Serviços Gerais, reforça que o prêmio valida um trabalho coletivo e contínuo, não um evento isolado. A universidade pretende usar o case como base para novas métricas de ESG reportadas ao mercado.

O que observar daqui para frente

Três sinais indicam se o modelo é replicável para outras organizações: a taxa de contaminação dos resíduos orgânicos (hoje controlada abaixo de 5%), o volume mensal de adubo produzido versus área verde atendida, e a receita gerada às cooperativas parceiras. Se esses números se mantiverem ou melhorarem na expansão do Campus II, o case deixa de ser “exemplo de universidade” e vira benchmark para qualquer grande campus corporativo, hospitalar ou industrial.