A Decolar acaba de registrar um salto de 19.000% nas pesquisas por viagens a Montevidéu nas últimas duas semanas. O gatilho: a classificação do Palmeiras para a final da Libertadores, marcada para 28 de novembro na capital uruguaia contra o Estudiantes.
O número impressiona não apenas pela magnitude, mas pela velocidade. Em 2021, quando o clube paulista decidiu o título contra o Flamengo em Lima, a alta nas buscas pelo destino peruano ficou em 5.000%. Este ano, o crescimento é quase quatro vezes maior no mesmo intervalo de tempo.
Por que Montevidéu superou Lima na preferência do torcedor
A proximidade geográfica pesa. Voos diretos de São Paulo levam cerca de 2h40, contra 5h para o Peru. Some-se a isso a facilidade de entrada no Uruguai — apenas documento de identidade para brasileiros — e a infraestrutura hoteleira preparada para receber grandes fluxos em poucos dias.
Outro fator: a final única em estádio neutro concentra a demanda em uma janela estreita. Diferente de jogos de ida e volta, não há tempo para planejamento gradual. Quem decide ir, reserva tudo em 48 a 72 horas.
De onde partem os torcedores — e o que isso revela
São Paulo lidera isolada o ranking de origens das buscas. O restante do top 8 desenha um mapa claro da torcida palmeirense fora do eixo paulistano:
- Rio de Janeiro (RJ)
- Belo Horizonte (MG)
- Brasília (DF)
- Porto Alegre (RS)
- Curitiba (PR)
- Florianópolis (SC)
- Vitória (ES)
A presença de capitais do Sul e Centro-Oeste confirma a capilaridade nacional da base alviverde. Não é fenômeno restrito à região metropolitana.
O que a gerente da Decolar diz sobre o padrão
“Grandes eventos esportivos movimentam o turismo e impulsionam a demanda por viagens, especialmente em momentos decisivos das competições”, afirma Renata Dias, gerente de Vendas da plataforma. “O crescimento expressivo das buscas por Montevidéu mostra como o futebol mobiliza os torcedores e aumenta o interesse por transporte e hospedagem em um curto período.”
A executiva destaca que o pico de procura ocorre sempre na semana posterior à definição do finalista. Depois, a curva cai à medida que a disponibilidade de voos e hotéis se esgota.
Cenários para as próximas duas semanas
Três variáveis vão ditar o desfecho dessa corrida:
- Capacidade aérea: companhias já anunciaram voos extras, mas a frota disponível na região é limitada.
- Hospedagem: hotéis centrais de Montevidéu operam acima de 90% de ocupação para o período.
- Ingressos: a distribuição das cotas para torcidas organizadas e sócios-torcedores ainda não foi finalizada.
Quem não fechou pacote até a primeira semana de novembro provavelmente encontrará apenas opções de hospedagem em cidades vizinhas como Canelones ou Punta del Este, com deslocamento no dia do jogo.
O que observar daqui pra frente
O padrão se repete: final de Libertadores com time brasileiro gera pico de demanda imediato, seguido de estabilização em patamar alto até a véspera. Para o trade turístico uruguaio, a semana do dia 28 representa faturamento equivalente a um mês normal de novembro. Para o torcedor, a janela de decisão fecha nos próximos dez dias — depois, só resta torcer pela TV.
