Justiça

Justiça derruba lista de boicote: influenciadora perde batalha contra advogado

Decisão judicial determina remoção de advogado de lista de boicote política no Instagram
Justiça mineira ordena exclusão de advogado de lista de boicote divulgada por influenciadora

Uma decisão judicial em Minas Gerais determinou a remoção imediata do nome de um advogado de uma lista de boicote contra eleitores do PT. O caso expõe os limites legais do uso de redes sociais para retaliação política.

A influenciadora Viviani Melo terá que excluir o profissional da relação que divulgou em seu perfil no Instagram, sob pena de multa diária de R$ 1.000, limitada a R$ 20 mil. O processo tramita com pedido de indenização por danos morais no mesmo valor.

O que motivou a ação judicial

Após o resultado das eleições, a influenciadora declarou publicamente sua inconformidade e iniciou a compilação de nomes. Em vídeos, afirmou que não contrataria serviços de ninguém que tivesse votado no partido — incluindo manicures, prestadores de serviço e profissionais liberais.

“Se houver vestígio de que a minha manicure é do PT, eu não vou fazer minha unha”, disse em uma das publicações. “Então, se você votou no PT e eu descobrir, você não vai ter nem o meu oi.”

O advogado incluído na lista argumentou ser vítima de perseguição ideológica. Seu nome foi exposto sem que tivesse manifestado publicamente sua preferência eleitoral.

O entendimento do magistrado

Ao conceder a liminar, o juiz Eduardo Guastini foi direto: o uso de ferramentas digitais para fomentar boicotes direcionados e constranger profissionais no exercício de suas atividades ultrapassa os limites do direito legítimo de crítica ou manifestação política.

Para o magistrado, a prática configura “abuso de direito e ofensa aos direitos da personalidade”. A decisão estabelece precedente relevante sobre até onde vai a liberdade de expressão em ambientes digitais quando há dano objetivo a terceiros.

Efeito cascata no meio empresarial

O caso não é isolado. Após o pleito, listas semelhantes circularam em diversas capitais. Empresários relataram à imprensa terem recebido ameaças e mensagens hostis, com receio concreto de perder clientela.

  • Profissionais incluídos sem declarar voto publicamente
  • Ameaças de boicote a estabelecimentos comerciais
  • Pressão para declaração política forçada

O fenômeno atinge especialmente pequenos e médios negócios, mais vulneráveis a campanhas de cancelamento em redes sociais. A insegurança jurídica gerada afeta decisões de contratação e parcerias comerciais.

O que observar daqui para frente

A influenciadora informou já ter constituído advogado para defesa no processo. O desfecho do mérito dirá se a indenização por danos morais será confirmada — e em qual valor.

Enquanto isso, a decisão liminar já produz efeitos práticos: retira o nome do advogado da lista e sinaliza ao mercado que o Judiciário pode intervir quando manifestações políticas extrapolam para coerção econômica. Para empresários e profissionais liberais, o recado é claro: listas de boicote baseadas em preferência partidária podem gerar responsabilidade civil.

Casos semelhantes tendem a chegar aos tribunais nos próximos meses. A jurisprudência que se formará definirá o equilíbrio entre liberdade de expressão e proteção da atividade profissional contra retaliações ideológicas.