Economia

O segredo por trás da saída de um gigante do venture capital para criar fundo de US$ 500 milhões…

Ibrahim Ajami, ex-Mubadala Capital, lança fundo Noha de US$ 500 milhões para IA
Ibrahim Ajami anuncia saída da Mubadala para criar fundo de venture capital de US$ 500 milhões focado em inteligência artificial.

Ibrahim Ajami, principal nome por trás dos investimentos em startups da Mubadala Capital, confirmou sua saída para lançar a Noha, um fundo de venture capital com meta de captar US$ 500 milhões. A novidade reconfigura o tabuleiro de capital de risco entre Oriente Médio e Vale do Silício.

O movimento não é apenas uma troca de cadeira. Ele sinaliza uma nova fase na estratégia dos Emirados Árabes para competir diretamente com EUA e China na corrida da inteligência artificial.

O que muda na prática para quem investe ou empreende

A Noha nasce com um diferencial raro: acesso direto à infraestrutura computacional e à base de clientes dos Emirados. Cerca de 90% do capital será alocado em startups americanas em estágio inicial, com foco em empresas que buscam replicar a trajetória de OpenAI, Anthropic, SpaceX e Waymo — todas já presentes no portfólio de Ajami.

O fundo contará com aporte inicial de “algumas centenas de milhões” da própria Mubadala Capital e fará coinvestimentos com outros veículos soberanos da região. A equipe inicial será enxuta, formada por profissionais que já atuam com Ajami em San Francisco.

  • Meta de captação: US$ 500 milhões (≈ R$ 2,68 bilhões)
  • Foco geográfico: 90% EUA / 10% Emirados e outros
  • Estágio alvo: Early-stage (série A e seed)
  • Diferencial: Acesso a compute, clientes e capital soberano

Por que isso pode mudar em março

As negociações ainda estão em andamento e nenhuma decisão final de investimento foi tomada. Mas o cronograma indica que a estrutura operacional deve estar pronta no primeiro trimestre. O nome “Noha” — sabedoria em árabe — reflete a ambição de posicionar o fundo como ponte estratégica, não apenas provedor de capital.

Ajami, aos 51 anos, passa duas décadas na Mubadala. Seu histórico inclui apostas precoces em Stripe, SpaceX e Waymo. A saída ocorre num momento em que os Emirados intensificam a diversificação econômica: o país já é investidor direto na OpenAI e na Anthropic, além de construir infraestrutura massiva de IA.

O efeito nos pequenos negócios e fundos regionais

Para fundos brasileiros e latino-americanos, o sinal é claro: o capital soberano do Golfo deixa de ser apenas LP (limited partner) para atuar como GP (general partner) com tese própria e equipe no chão do Vale do Silício. Isso eleva a régua de sofisticação e acelera a internacionalização de startups que antes dependiam quase exclusivamente de sand hill road.

Paralelamente, a Apollo Global assume participação minoritária na Mubadala Capital, tornando-se o segundo acionista externo — atrás da Silver Rock Financial. A reformulação acionária reforça a profissionalização da gestora-mãe mesmo após a saída de seu principal dealmaker de venture.

O que observar daqui pra frente

Três variáveis definirão o sucesso da Noha nos próximos 12 meses: a velocidade de deployment do primeiro cheque, a capacidade de atrair co-investidores não-soberanos para validar a tese, e a execução da promessa de “acesso a compute” — hoje o gargalo mais crítico para startups de IA generativa. Se a ponte funcionar, o modelo pode ser replicado por outros fundos soberanos, redesenhando a geografia do venture capital global.