Tecnologia

Você não vai acreditar: Brasil tem 10 mi de devs e IA escreve 40% do código…

Brasil: 10,2 mi devs no GitHub e IA gerando 40% do código aprovado
Brasil ultrapassa 10,2 milhões de desenvolvedores no GitHub e IA já escreve 40% do código aprovado mensalmente.

O Brasil acaba de ultrapassar a marca de 10,2 milhões de desenvolvedores no GitHub, consolidando-se como o quarto maior país da plataforma. Mas o número que realmente assusta está escondido nos bastidores: quatro em cada dez alterações de código aprovadas no último mês nasceram de um rascunho gerado por inteligência artificial.

O relatório Octoverse 2026, divulgado hoje, revela que 3,28 milhões de brasileiros criaram contas nos últimos 12 meses. É o dobro do crescimento chinês e só perde para Estados Unidos e Índia. Se o ritmo se mantiver, o GitHub projeta que o Brasil ultrapasse a China — hoje com 12,4 milhões de usuários — antes de 2030.

Não é só quantidade: o brasileiro coloca a mão no código

O país também ocupa a quarta posição em contribuições reais para repositórios públicos — os chamados pushes, quando um programador envia alterações efetivas. Não há conta inativa: a base brasileira produz.

Esse movimento coincide com a maior transformação da história da plataforma. O GitHub conta hoje 225 milhões de desenvolvedores globais e registrou 17,9 bilhões de pushes no último ano — mais que a soma dos dois anos anteriores.

O fantasma na máquina: 110 milhões de rascunhos de IA em um mês

Em setembro, 40% dos pull requests mesclados — alterações aprovadas e incorporadas aos projetos — começaram como sugestão de um agente de IA. São 110 milhões de solicitações em 30 dias.

Não significa que o código entrou sem revisão humana. Mas mostra que a máquina passou a ditar o ponto de partida. O programador virou curador e validador, não mais autor único.

Linguagens que a IA prefere — e por que isso importa

TypeScript, Python e JavaScript seguem no topo, mas o TypeScript sozinho ganhou 3,62 milhões de contribuidores mensais em um ano, o maior salto absoluto da plataforma. O Rust dobrou de tamanho.

A explicação do GitHub é direta: conveniência para a máquina. Em TypeScript, Python e Rust, a IA aparece em 40% a 44% dos pull requests mesclados. Em Java, C# e C++, a fatia cai para 21% a 34%.

A diferença está na facilidade de checar o que o assistente produziu. Não por acaso, TypeScript está em 35% dos repositórios criados com IA em 2026, contra 24% dos criados sem ela.

  • TypeScript, Python, Rust: IA em 40–44% dos PRs mesclados
  • Java, C#, C++: IA em 21–34% dos PRs mesclados
  • Repositórios novos com IA: 35% usam TypeScript
  • Repositórios novos sem IA: 24% usam TypeScript

O novo arsenal: Copilot vira plataforma, não só assistente

Durante o GitHub Universe 2026, a empresa apresentou uma bateria de ferramentas que transformam o Copilot em sistema operacional do desenvolvimento:

  • Copilot App: centraliza etapas de trabalho, agentes e ferramentas em um só lugar
  • Copilot Fusion: escolhe automaticamente o modelo de IA ideal para cada tarefa — 61% dos usuários já alternam entre modelos na mesma sessão
  • Copilot Projects: coordena trabalho em múltiplos repositórios simultâneos
  • Copilot Code Review Max: foca em revisões profundas de código

A cobrança para clientes Enterprise também muda: fim da assinatura fixa, entrada do modelo por créditos de IA consumidos. Quanto mais código as máquinas escreverem, maior a conta.

Infraestrutura para sustentar a fábrica de código sintético

Para dar vazão à demanda, o GitHub adicionou neste ano 4 milhões de núcleos de processamento, 160 petabytes de armazenamento de alta velocidade e 50 terabits por segundo de capacidade de rede. A migração para arquitetura distribuída na nuvem Azure deve terminar no início de 2027.

O que observar daqui para frente

Cinco anos depois de abrigar o primeiro grande salto da IA generativa, a pergunta deixou de ser “se” a máquina vai escrever código. Passou a ser: quanto do código ainda será escrito por gente? Para um país prestes a ter a maior base de desenvolvedores do mundo, a resposta define a competitividade de toda uma geração de empresas — das fintechs que puxaram o crescimento às corporações que precisam decidir onde alocar capital humano em 2027.