Economia

Ibovespa desaba 2,68% e renova mínima: o que está por trás do pior semana em anos

Gráfico de linha mostra queda acentuada do Ibovespa para 171 mil pontos com destaque em vermelho
Ibovespa atinge 171.006 pontos, menor nível desde agosto, com queda de 2,68% no pregão

O Ibovespa fechou esta quarta-feira aos 171.006 pontos, queda de 2,68% no terceiro pregão seguido de perdas. A bolsa acumula tombo de 16,6% na semana e 8,2% no mês, enquanto o dólar encerrou em leve baixa a R$ 5,34.

O índice atingiu o menor patamar desde 20 de agosto. Mas o número que mais chama atenção não está no fechamento — está no fluxo.

O sangramento do capital externo

Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, investidores estrangeiros retiraram R$ 2,846 bilhões da B3. Foi a maior saída diária em meses. O movimento sinaliza que a reação ao resultado eleitoral vai além do ruído de curto prazo.

Setores mais sensíveis ao ciclo doméstico — imobiliário, varejo, small caps — lideraram as perdas. A aversão a risco não poupou nem as blue chips tradicionais.

Dólar: alívio pontual, pressão estrutural

A moeda americana recuou 0,19% no dia, mas acumula alta de 6,95% na semana e 3,19% em outubro. No ano, porém, ainda cai 2,59%.

O alívio da tarde veio do exterior: o Federal Reserve manteve os juros entre 3,75% e 4%, como esperado, e o dólar enfraqueceu globalmente. O S&P 500 subiu 0,28%. Aqui, o efeito durou pouco.

  • Dólar comercial: R$ 5,34 (-0,19% no dia)
  • Semana: +6,95%
  • Mês: +3,19%
  • Ano: -2,59%

O nó fiscal que o mercado não consegue desatar

A decisão do Fed era o evento de risco global. Passou. O risco local, não. A incerteza sobre a política fiscal do novo governo mantém a prêmios de risco elevados e a curva de juros inclinada.

Some-se a isso a repercussão do cenário político nas relações diplomáticas com os Estados Unidos. Não há clareza sobre como isso afeta fluxos de comércio, investimento direto ou até acordos de cooperação financeira.

Cenários para os próximos pregões

Três variáveis vão ditar o ritmo:

  1. Anúncios de equipe econômica: nomes e sinais de compromisso com âncora fiscal.
  2. Fluxo estrangeiro: se a saída de segunda-feira vira tendência ou evento isolado.
  3. Curva de juros longa: se os DIs voltam a subir, o custo de capital para empresas encarece.

O Ibovespa em 171 mil pontos não é apenas um número. É o reflexo de uma reprecificação de risco Brasil que ainda não encontrou piso.

O que observar daqui pra frente

Agenda desta quinta: divulgação do Relatório Focus, leilão de linha do Banco Central e possíveis falas de membros do futuro ministério. Qualquer sinal sobre regra fiscal ou meta de resultado primário move o mercado na abertura. Mantenha stop curto em posições alavancadas — a volatilidade intradiária está acima de 3% há três sessões consecutivas.