Justiça

PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB: R$ 12,2 bi em créditos fantasmas

Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa indiciados pela PF em esquema de R$ 12,2 bi em créditos fantasmas
Ex-controlador do Banco Master e ex-presidente do BRB estão entre os 15 indiciados por esquema bilionário.

A Polícia Federal indiciou 15 pessoas no inquérito que apura a venda de carteiras de crédito sem lastro real do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). Entre os nomes estão Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB — ambos presos desde o primeiro semestre de 2026.

O esquema movimentou R$ 17,5 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões referem-se a créditos que, segundo a PF, nunca existiram de fato.

Como a engrenagem funcionava

O relatório parcial enviado ao STF descreve três núcleos operacionais. No topo, o núcleo estratégico: Vorcaro e Costa definiam diretrizes, faziam a articulação institucional e coordenavam os demais grupos. Vorcaro é apontado como líder da organização criminosa, centralizando decisões sobre produção, aquisição e cessão das carteiras.

No núcleo executivo-financeiro, Augusto Lima — sócio de Vorcaro — cuidava da estruturação contábil, acompanhamento das cessões e organização dos documentos que lastreavam as operações.

O terceiro grupo reunia diretores do Master, dirigentes do BRB, operadores de empresas de fachada e um advogado. Juntos, viabilizavam a entrada dos recursos no BRB sem os controles exigidos.

O buraco no balanço do BRB

A investigação sustenta que o BRB liberava bilhões sem realizar as verificações necessárias. A flexibilização dos controles teria continuado mesmo após a diretoria tomar conhecimento de inconsistências graves nas carteiras e da deterioração dos indicadores prudenciais.

Para a PF, a atuação de Costa “não decorre apenas do cargo ocupado”, mas de ação pessoal, reiterada e diretiva na articulação dos interesses do Master dentro do banco público.

Imóveis de alto padrão como moeda de troca

Um dos pontos mais sensíveis do relatório aponta indícios de que Vorcaro teria oferecido vantagem indevida a Costa por meio da aquisição dissimulada de imóveis de luxo. A estratégia, segundo os investigadores, servia para ocultar o real pagador e o verdadeiro beneficiário dos bens.

A defesa de Costa nega recebimento de vantagem financeira e afirma que foi ele quem levou as irregularidades ao Banco Central. A de Vorcaro classifica o indiciamento de “açodado” e pede a revogação da prisão, alegando ausência de prova técnica de fraude ou prejuízo. A de Lima atribui a conclusão policial a leitura enviesada de mensagens desconexas.

Próximos passos e o que observar

  • A Procuradoria-Geral da República avalia se oferece denúncia formal à Justiça.
  • A PF solicitou 60 dias adicionais para concluir as diligências.
  • Os crimes imputados incluem gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O desfecho dependerá da análise da PGR sobre a robustez do material probatório — especialmente a existência de lastro documental para os R$ 12,2 bilhões questionados. Para o mercado, o caso acende alerta sobre a governança em cessões de carteiras interbancárias e a eficácia dos controles de compliance em instituições públicas. Vale acompanhar se o inquérito resultará em ações de responsabilização civil e administrativa além da esfera penal.